Objetivo

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pronto, falei!



Não, eu não sou gostosa. Não peso 50 quilos, não tenho longos cabelos lisos, não tenho barriga sarada e nem coxas definidas. Não sou o sonho de consumo dos homens, não sou de parar o trânsito, não chamo a atenção quando ando pela rua. Sou gorda, muito gorda para os padrões da sociedade. As pessoas se assustam quando me vêem, principalmente as que tiveram a oportunidade de me conhecer assim:




Sim, eu já fui magra. Sim, eu já pesei 60 kg. Sim, eu já fui desejada e adorada pela minha "beleza" (hoje em dia magreza é sinônimo de beleza, infelizmente). Sim, já fui sonho de consumo de alguns homens. Sim, já fui considerada "gostosa". Sim, já tive a oportunidade de chamar a atenção em alguns lugares que fui. Mas nada dessa "magreza" foi presente da natureza, não. Sofri muito para conseguir esse corpo. Fiz inúmeras dietas, me privei de diversas comidas que gostava, suei a camisa fazendo milhares de exercícios que simplesmente detesto e sempre detestei, chorei sozinha várias noites depois de encontros trágicos com a balança (nos quais havia engordado), fui obrigada a ir a diversas reuniões de encorajamento para não abandonar todo o plano alimentar e sucumbir à tentação de me acabar em doces e porcarias gordurosas e engordativas, já sofri tendo que sair com amigos e vê-los se acabando em comida enquanto eu pedia uma salada para não estragar a dieta, aguentei muita humilhação e muita gente torcendo para tudo dar errado e eu voltar a ser gorda novamente.
O que mudou de lá pra cá? Eu voltei a ser gorda. Acontece que nesta época não me considerava magra, não conseguia enxergar o tal corpo saudável que todo mundo falava. Cada quilo que emagrecia eu me via mais gorda, não conseguia encontrar a tal alegria e a tal paz que acreditava que teria quando a balança atingisse os tão sonhados 60 kg. recomendados pelo médico, pelas orientadoras do meu programa de emagrecimento e pelas calculadoras de peso ideal. Eu vivia perturbada com a ideia de engordar, vivia contando calorias desesperadamente, vivia sonhando com o dia em que a felicidade chegaria magicamente após os quilos perdidos. Mas este dia jamais chegou. E sabe por que? Muito simples: corpo magro e felicidade não são sinônimos!
Hoje eu sou julgada pelos meus quilos, que são 30 a mais do que as fotos mostradas, mas a verdade é que sou exatamente a mesma pessoa, a única coisa que mudou foi o tamanho das minhas roupas! Sim, eu continuo sendo mulher, eu continuo tendo sentimentos, sonhos, desejos, frustrações, tristezas, projetos, dias bons e dias ruins também. As pessoas têm uma mania chata de levar em consideração somente a aparência e achar que somente as pessoas magras e bonitas têm o direito de ser feliz, e olhando gordos e outras pessoas fora dos padrões estabelecidos pela sociedade como pessoas inferiores, preguiçosas e não merecedoras das boas coisas da vida.
Sou a favor sim de que as pessoas busquem qualidade de vida, um corpo mais saudável e um equilíbrio para suas vidas, mas sou contra a ideia de que a magreza é a única forma aceitável de ser. Porque, por mais que muitas pessoas não acreditem, sim, gordos são seres humanos normais, que buscam as mesmas coisas que os magros. E eu acredito que o que as pessoas têm na cabeça é muito mais importante do que os dígitos que aparecem quando sobem na balança.
Eu passei a minha vida inteira me preocupando com a opinião dos outros a meu respeito. Nunca olhei para mim com os meus próprios olhos, mas com os olhos dos outros. E os olhos dos outros são sempre mais exigentes e mais cruéis, porque analisam a situação de um ponto de vista imparcial, sem levar em consideração os demais fatores envolvidos na história. De hoje em diante eu decidi que vou me preocupar apenas com a minha opinião, parar de me sentir inferior aos outros por qualquer motivo que seja e buscar a minha felicidade, que não tem nada a ver com o meu peso, mas com a minha forma de me enxergar e de enxergar a minha vida.

Não estou desistindo da RA, muito pelo contrário, estou buscando forças para retomá-la, afinal a gordura está me fazendo mal, está me deixando muito cansada e estou tendo dificuldades de comprar roupas, mas o que eu quero é desvincular a minha felicidade do peso que aparece na balança.

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Meninas, boa noite!

Quanta saudade!!!! E quantas coisas acontecendo... fui demitida do trabalho dia 05.06 e desde então minha vida está virada de cabeça para baixo... tive que deixar meus planos de montar uma casa para morar com meu filho temporariamente de lado, afinal a situação está feia pro meu lado, e desde então estou procurando emprego e tentando colocar a vida nos eixos.
Desculpem o sumiço (não aguento mais escrever isso, porque nunca cumpro as promessas de volta rsrsrsrsrs), mas não esqueço de vocês. Peço desculpas às pessoas que comentaram na minha última postagem e eu não dei retorno, não é falta de consideração e nem descaso, é realmente falta de tempo e muitos problemas. Mas me esperem que eu estou chegando!!!!! rs

sexta-feira, 30 de março de 2012

Enfim, de volta!



Boa noite, meus amores!

Não é uma miragem, nem tampouco ilusão de ótica. Eu finalmente tomei coragem (e o principal, consegui tempo!) para voltar. Tenho ensaiado este retorno há muito tempo, mas a preguiça e o desânimo andaram me vencendo. Ao retomar contato com algumas de vocês via Facebook, senti uma saudade imensa e percebi que estava era perdendo tempo em não postar no meu blog.
Neste tempo longe, aprendi uma série de lições importantíssimas, que me serviram como aprendizado de vida:
1º - Gordos, socialmente falando, não são valorizados. Você pode ser o maior gênio do mundo ou ter qualidades incomparáveis, mas se for gordo este será seu rótulo e a maneira como os outros lembrarão de você e te citarão;
2º - O caminho rumo ao emagrecimento é muito mais árduo, doloroso e difícil quando trilhado sozinho. Quando postava regularmente no blog, era mais motivada e comprometida com a minha dieta e minha saúde;
3º - Gordos até querem tentar ser felizes gordos, mas as pessoas ao redor não deixam;
4º - Pessoas que não sofrem com compulsão alimentar ou são magras de nascença não compreendem problemas associados à alimentação. Na sua mente pequena, gordos são gordos porque querem, porque são preguiçosos e porque não têm força de vontade;
5º - Eu não vou conseguir absolutamente nada na minha vida se não lutar por isso. Nada vem de graça, nunca;
6º - Estresse engorda, e muito;
7º - Infelicidade também;
8º - Eu achei que sabia muita coisa, mas descobri que nunca ninguém sabe o bastante;
9º - É muito difícil ser sozinho;
10º - Força de vontade não brota do nada, precisamos buscá-la e exercitá-la todos os dias;
11º - Eu não posso mais esperar nem um minuto para começar a minha mudança.

Nestes últimos meses, o que mudou na minha vida foi o meu emprego. Mudei de empresa com um sonho imenso e muita esperança, passei por algumas situações bem complicadas por conta de mudanças corporativas e depois de acreditar que minha demissão estava próxima, consegui realocação numa agência a 40 minutos da minha casa. Não era o sonho da minha vida trabalhar numa agência bancária, não era meu projeto profissional, mas é o que estava reservado para mim, então vou fazer o melhor possível para que tudo dê certo. Foi um período muito estressante da minha vida, e como não poderia deixar de ser, engordei muito com tudo isso. Sim, joguei todo o meu esforço dos tempos de blog no lixo e voltei a engordar. E tudo o que as pessoas do meu convívivo sabem me dizer é: "nossa, como você engordou!". Como se eu não soubesse, não é mesmo? Como se eu não tivesse espelho em casa...
Acontece que durante um bom tempo, não senti vontade nenhuma de mudar nada. Decidi me aceitar com o corpo que tenho e tentar ser feliz assim, sem dietas, sem cobranças, sem neuras e sem estresse. É claro que não consegui. Em partes por conta da opinião dos outros, mas principalmente, por conta de mim. Não estou feliz assim. Minhas roupas estão apertadas, meus joelhos doem, sinto-me cansada, sonolenta e desanimada, minha pele está uma porcaria e meu fôlego, péssimo. Então senti novamente que chegou a hora de buscar uma vida mais saudável e hábitos de alimentação mais adequados. Mas dessa vez não quero pensar que estou fazendo isso por ninguém mais além de mim. E sozinha sei aque não vou conseguir. Através deste blog, conheci pessoas espetaculares, com histórias de vida variadas e de muita luta, obtive exemplos reais de pessoas que venceram a obesidade e de pessoas que ainda estão na batalha, sem nunca desistir. Levei broncas, recebi conselhos, fui lida, compreendida e acolhida. Aqui eu me sinto viva, me sinto reconhecida, me sinto compreendida, afinal os sentimentos são os mesmos. E somente quem sofre ou já sofreu com o problema de excesso de peso sabe do que estou falando. Espero que vocês perdoem a minha ausência e me aceitem de volta, pois esse blog me faz muita falta. Compartilhar aqui meus sentimentos e pensamentos e saber também dos sentimentos e pensamentos de vocês funciona para mim como uma terapia, e longe disso estou me vendo desistir aos poucos da principal pessoa da minha vida: eu.
Preciso tomar uma atitude para ontem, preciso colocar as mãos na minha própria vida e fazer o meu milagre, preciso parar de esperar por um milagre divino, por um "salvador" que resolverá todos os meus problemas, já tenho idade e experiência suficientes para saber que isso não existe. A verdade é que, apesar de convivermos com outras pessoas e precisarmos disso, cada um de nós é um ser sozinho que precisa lutar por seus próprios objetivos, porque do contrário, ninguém fará isso por nós. Aliás, nem é obrigação de ninguém fazer isso.
Conto novamente com o apoio e o carinho de vocês e só posso dizer que estou feliz demais por estar de volta...

Este é mais um dos meus recomeços. Muitas pessoas já não creem mais em mim e nem na minha mudança, mas eu não me importo, porque a única pessoa que precisa acreditar em mim para que tudo isso dê certo sou eu mesma. Eu quero voltar para o controle da situação e sair vitoriosa dessa guerra tão longa e tão cansativa.

E dessa vez tem que ser para sempre...

Beijos a todas!!!!!!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Festa de aniversário do Rhian

Conforme tudo na minha vida, foi um dia de emoções intensas. Primeiro, o frio na barriga de estar fazendo a primeira festa de aniversário do meu filho. Um medo enorme de as pessoas não aparecerem, de eu ser uma anfitriã ruim, de alguma coisa dar errado, do pai do Rhian me fazer alguma "surpresa" desagradável, enfim... muitos pavores povoaram minha cabeça por muito tempo. Mas depois que o pessoal começou a chegar, meu coração foi se acalmando...
Algumas pessoas não compareceram, mas o que posso dizer é que a grande maioria estava lá, e cada um que transitava por aquela festa, tem um papel especial na minha história e na do Rhian. Enxugaram minhas lágrimas quando a dor invadiu meu coração e parecia ter vindo para ficar. Ofereceram seu ombro amigo para que eu chorasse. Fizeram-me rir quando eu acreditava que o sorriso já não fazia mais parte da minha vida. Caminharam ao meu lado e me seguraram nos braços quando eu achei que já não tinha forças para continuar.
Procurei dar atenção a todos os convidados, dentro das minhas possibilidades de tempo, claro. Distribuí sorrisos sinceros, porque eu estava realmente feliz. Recebi muitos abraços afetuosos, elogios à minha nova silhueta (ainda há muito o que mudar, mas já melhorou pra caramba), brincadeiras saudáveis e divertidas aconteceram o tempo todo. Além dos amigos, estava na presença da minha família, que amo demais. Estava com a minha família de sangue, e com a minha família de consideração, que é a família do pai do Rhian. Nem o término dos nossos laços afetivos foi capaz de esfriar em meu coração o amor que sinto por sua mãe, suas irmãs e seus sobrinhos, que chamo carinhosamente de minha sogra, minhas cunhadas e meus sobrinhos. Serão para sempre minha família, não importa o que aconteça no futuro.
Participei da dança das cadeiras, saí na 5ª rodada e, como sou a mãe do aniversariante, meu castigo foi bem pesado: dançar o créu na velocidade 5, com a bunda virada para os participantes da brincadeira! Mas não fui só eu que paguei mico, não! Quem entrou na brincadeira, se deu mal também! rs
Até o pai do Rhian, que foi o vencedor da brincadeira, teve que dar uma reboladinha em cima da cadeira. Foi muito engraçado!
Rhian estava meio mal humorado, não é acostumado a muito barulho e agitação, mas, ainda assim, se comportou melhor do que eu imaginava. Foi no colo de algumas pessoas, deu umas risadinhas, participou do piquenique infantil no colo da recreadora, sem chorar, enfim... acho que ele se divertiu também!
Ele estava lindo com a roupinha que a vovó (minha mãe) deu para ele, roupa essa que saímos para comprar na última hora, depois de eu constatar que todas as roupas que tinha planejado que ele usasse estava grandes demais.
O dia estava lindo, bem ensolarado e quente, e o calor veio para fazer bonito. Estava muito quente o salão, e antes das 16h, já estávamos todos suados, principalmente o Rhian, eu e seu pai.
O momento da retrospectiva chegou. Eu já tinha assistido umas 5 vezes, pelos menos, e em todas elas chorei, mas, sinceramente, não imaginei que ela fosse me acertar em cheio bem ali, no meio de todos os convidados. Quando a primeira foto apareceu na tela, eu com uma barriga de 7 meses de gravidez, sozinha, um filme de toda a história começou a passar pela minha cabeça. Chorei compulsivamente durante os quinze minutos de retrospectiva. Por um momento, olhei para trás e vi o pai do Rhian com ele no colo, então não pude deixar de pensar porque as coisas não deram certo, porque não formamos a nossa família linda e não vamos criar nosso filho juntos. Meu coração doeu demais, por mais uma vez.
Com meu filho nos braços, cantarolei para ele a última música da retrospectiva: "Você é a escada da minha subida, você é o amor da minha vida, é meu abrir de olhos no amanhecer, verdade que me leva a viver, você é a espera na janela, a ave que vem de longe, tão bela, a esperança que arde em calor, você é a tradução do que é o amor"
E então eu senti no meu coração, de novo, a alegria intensa de ser mãe. Senti que não posso mais viver sem ele, que ele me faz feliz demais, que ele devolveu meu sorriso e minha esperança. Tudo que sou hoje, o melhor de mim, eu devo ao nascimento do Rhian.
Ao final da retrospectiva, vi lágrimas em muitos rostos ali presentes. Recebi abraços carinhosos, elogios, frases de incentivo, beijos calorosos, "eu te amo" sinceros. Senti meu coração em paz.
Hora do parabéns. Um calor atrás daquela mesa, meu Deus! Mas foi divertido. Assoprar a vela do meu filho junto com o papai, poder dizer a ele que sempre estivemos civilizadamente unidos em seu nome, poder ser a família de que ele precisa. Fotos e mais fotos com todo mundo que estava no meu campo de visão. Um bom pedaço de bolo com sorvete (ai, dieta!). Arranquei o salto alto dos pés e me joguei no brinquedão com a minha cunhada. E lá fomos nós pra dentro da piscina de bolinhas! Divertidíssimo.
Festa chegando ao final. Beijei e agradeci cada um por estar ali. Foi maravilhoso. Abracei também o papai do Rhian e agradeci por um dia de alegria, sem "surpresas" e aborrecimentos. Nós dois brigamos, mas no final, tudo fica bem.
E lá vamos nós para casa, abrir os presentes. Ganhou coisa demais! Brinquedos, velotrol, roupas que não acabam mais, sapato... nossa! Fez uma festa naquela sala enquanto papai e mamãe abriam os presentes!
Foi um dia lindo e divertido, à altura do que meu filho merece. Senti a alegria em seus olhinhos, embora saiba que ele não compreendeu absolutamente nada do que estava acontecendo.
Mas, como tudo na minha vida, depois de toda a alegria, a tristeza me invadiu novamente, e eu chorei mais um pouco, para calar a ânsia do meu coração em ter respostas, em compreender porque meu relacionamento fracassou.
Eu quero esquecer o passado e seguir uma nova vida, mas eu sofro cada vez que me conscientizo de que preciso me soltar de tudo o que aconteceu. Abandonar o passado significa abrir mão das coisas maravilhosas que vivi, me desapegar de uma família que eu amo demais e que eu decidi chamar de minha, esquecer a esperança de estar ao lado do homem que eu amo. Não é fácil, mas é necessário. Eu preciso ser feliz.
Fui dormir com uma dor de cabeça insuportável, com a pressão 10x6, um mal-estar terrível, mas feliz pelo dia do meu filho ter sido perfeito.

Rhian, eu te amo demais! Obrigada por iluminar a minha vida neste seu primeiro ano de vida!