Objetivo

sábado, 31 de maio de 2008

Incômodo

Tenho procurado palavras para descrever a sensação que tem me invadido com freqüência ultimamente, mas, por mais que eu tente explicar, não encontrei palavra melhor, embora não muito aplicável ao conceito, que incômodo.
Sabe aquela sensação de que a roupa está apertada? Aquela impressão de que o sapato é menor e amassa os dedos? Que o cabelo está despenteado? Que o coração não cabe dentro do peito?que a alma está desgrudando do corpo?
E o problema maior é que nada do que é sentido condiz com a realidade. A roupa é do tamanho certo. O sapato é exatamente do número que se calça. Os cabelos estão limpos e penteados. O coração continua batendo no peito normalmente. A alma permanece no seu devido lugar...
O que fazer com este incômodo?Comprar uma roupa ainda maior? Trocar de sapatos? Cortar os cabelos? Calar o coração? Deixar a alma partir de uma vez por todas?
Eu já nem tenho palavras de amor e nem de dor para dizer, o silêncio envolveu-me em seus braços e já não me deixa mais, tudo o que um dia eu quis dizer, hoje eu já nem sei mais...
Incômodo nada mais é do que estar desconfortável, estar fora do seu ambiente de costume. Eu acho que a minha alma está perdida no meio de um imenso caos...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Algumas pessoas simplesmente não se importam


A frase é bastante conhecida: “Não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam”. Faz parte do texto “Um dia a gente aprende”, de William Shakespeare e eu confesso que, desde que li este texto pela primeira vez, penso muito nele e concordo com cada vírgula que está li. Eu poderia escrever sobre qualquer frase desse lindo texto, que vale muito a pena ser lido, mas escolhi esta em especial porque, na minha opinião, é a frase mais forte e mais certa contida nele, e explica muitas coisas que sentimos em relação a outras pessoas.
Algumas vezes, convivemos com pessoas que, por mais que façamos por elas, estas são incapazes de valorizar as nossas atitudes, e acabam até machucando o nosso coração. Neste momento, nos sentimos completamente perdidos e ficamos fazendo aquela insistente pergunta: “aonde foi que eu errei?”. Muitas pessoas (eu, por exemplo) têm o terrível hábito de acreditar que são culpadas por todas as coisas ruins que acontecem em suas vidas e ao seu redor, sem perceber que nem sempre quando somos feridos por alguém significa que fomos nós que fizemos algo que a levasse a isso. Na maioria dos casos, é a própria pessoa, por livre e espontânea vontade, que decide agir de tal maneira, simplesmente porque ela não se importa nem um pouco com você, por mais que você se importe com ela e queira sempre o melhor. Mas isso também não significa que esta pessoa não te ama. Pode significar apenas que ela não tem maturidade o suficiente para reconhecer os atos de amor e entrega que são dedicados a ela.
É uma dura e fria realidade. É claro que não fazemos as coisas pensando em retorno, mas esperamos pelo menos um mínimo de consideração por parte do outro. Mas essa consideração muitas vezes não vem. Algumas pessoas simplesmente são incapazes de enxergar e dar valor às atitudes das pessoas que as amam e, como se isso não bastasse, ainda ferem de morte as pessoas que elas mesmas mais amam, mas talvez ainda não tenham se dado conta disso.
Cada pessoa tem a sua própria maneira de amar, e não podemos dizer qual é a maneira certa e qual é a errada, afinal, não existe certo e errado em um mundo com tantas pessoas diferentes, de gênios tão diversos e que carregam dentro de si os mais variados medos e traumas, que influenciam diretamente na maneira de ser, pensar e agir, por isso não se importar não significa não amar, não querer perto, desprezar. Muitas vezes, só damos valor às coisas quando já é tarde demais, quando o tempo já passou, quando a pessoa amada já partiu ou quando a situação já está crítica demais para ser solucionada. Isso é uma atitude normal do ser humano, alguns fazem com mais freqüência, outros com menos, mas todos nós, pelo menos uma vez na vida, já agimos dessa maneira. As experiências de vida nos fazem perceber, cada dia um pouco mais, que devemos aprender a agradecer e a expressar os nossos sentimentos às pessoas que nos cercam, pois um dia elas não estarão mais lá e nós simplesmente perderemos o que pode ter sido a última chance de dizer um “eu te amo”.
É muito difícil dar o melhor de si e não esperar nada em troca, afinal, acreditamos que o nosso melhor merece um reconhecimento, pois só nós sabemos o esforço necessário para dar esse melhor, mas, infelizmente, e isso é um fato que não há como mudado, encontraremos por nosso caminho pessoas que amaremos muito, que moveremos céus e terras por elas e estas simplesmente agirão como se nada estivesse acontecendo, como se não estivessem vendo nenhum dos nossos esforços. Algumas destas pessoas acordarão para a vida em tempo hábil, darão valor às suas atitudes e, provavelmente, caminharão ao seu lado por muito tempo; outras continuarão cegas diante da realidade, e só se darão conta de tudo o que você fez e significou para elas quando você já tiver partido, quando já for tarde demais para te reencontrar. Não importa qual tipo de pessoa você encontrará pelo seu caminho, o que importa mesmo, é que quando realizamos boas ações sempre somos lembrados e valorizados, independente do tempo que isso demore, mesmo que você nunca saiba e nem veja, a pessoa um dia vai se lembrar de você, vai sentir saudades e vai perceber o quanto você a amou. Tudo nessa vida é uma questão de tempo, pois é o tempo que nos traz as experiências e a maturidade. Às vezes somos adultos, mas agimos pior do que crianças mimadas, mas, acredite, só fazemos isso para nos defender dos nossos próprios fantasmas.
O mais importante de tudo é dar o nosso melhor sempre, e não importa se o outro não se importa, o que realmente importa é que você se importa, e tudo aquilo que se faz com amor e entrega verdadeiros, volta para nós como créditos de felicidade.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O caminho que não leva a nada

(Rubem Alves)
Era uma tarde fresca. Estávamos assentados à sombra de um flamboyant na casa do meu primo Tatão, lá em Boa Esperança, jogando conversa fora. Gozado, pela primeira vez essa expressão “jogar conversa fora” chamou a minha atenção. Joga-se fora aquilo que não é para ser guardado. Não se diz “jogar conversa fora” de conversas de negócios entre executivos. Nas conversas de executivos nada é para ser jogado fora. Cada palavra vale dinheiro. Jogar conversa fora é uma brincadeira parecida com soprar bolhas de sabão. As bolhas de sabão são de curta duração. Mas são tão divertidas... Vão-se umas, sopram-se outras. Nietzsche e Alberto Caeeiro faziam filosofia e poesia contemplando as crianças entretidas nessa brincadeira. Quando jogamos conversa fora voltamos a ser crianças: sopramos bolhas com palavras, bolhas que serão logo esquecidas. Pois é. Lá estávamos nós quando, de repente, comecei a sentir um cheiro que me levou para dias da minha infância. A imagem que aquele cheiro me trouxe era tão doida que eu não disse nada. Achei que iriam se rir de mim. Foi quando uma das filhas do Tatão interrompeu a conversa e disse com aquela música pachorrenta do falar mineiro: “Uái, gente, que cheiro de quando estão matando porco...” Ah! Era isso mesmo que estava na minha cabeça. De alguma forma aquele cheiro me levou de volta a uma cena que estava enterrada na minha memória. Quando se mata porco há um cheiro característico: da lenha, do porco morto sendo chamuscado no fogo, do couro do bicho sendo amolecido pela água fervente.
Assim são as imagens poéticas: elas têm o poder de ir lá no fundo da alma, onde moram os esquecimentos. E quando um desses esquecimentos acorda, a gente sente um estremeção no corpo. Essa é a missão da poesia: recuperar os pedaços perdidos de nós.
Pois isso está acontecendo comigo agora, estou sendo visitado por uma imagem emissária do meu passado. Ela me aparece e eu me comovo. Se me comovo é porque eu me pareço com ela. É a imagem de um caminho. Haverá alguma razão para esse aparecimento? Acho que sim. Vou completar 71 anos. Olho para trás, olho para frente... Vejo o meu caminho...
Tenho, na minha pequena sala de estar, uma tela grande, pintada pela. Marli, mãe da Thais: um caminho no meio da mata. Não se sabe para onde vai porque ele desaparece numa curva. Eu recebi essa tela de presente, depois que da. Marli ficou encantada. Eu me assento no sofá e fico olhando para ela – coisa que não faço com famosas reproduções de Dali e Brueghel. O caminho me faz pensar. Pensar sobre mim mesmo. Penso sobre o caminho que trilhei. Penso sobre o caminho que trilharei, depois da curva...
Sinto o que disse Robert Frost num dos seus poemas: “Duas trilhas bifurcavam num bosque de outono, e eu, viajante solitário, triste por não poder andar por ambos, por longo tempo lá fiquei olhando até onde desapareciam na folhagem. Duas trilhas num bosque bifurcavam e eu – eu fui pela menos pisada, e isso fez toda a diferença”.
Acho que eu fiz o mesmo: preferi sempre a trilha onde poucos andavam. Desde menino eu amei estar sozinho. Gostava de ficar só com os meus pensamentos. Lembro-me do sobradão colonial do meu avô onde passava férias. Eu acordava – todos estavam ainda dormindo – vestia-me e, silenciosamente, para não despertar os adultos, caminhava pelo corredor onde estava o meu quarto, atravessava a sala de jantar, entrava num outro corredor que conduzia à sala de visitas, tomava a escada, eram três lances até o térreo, entrava num corredor que conduzia à enorme porta de entrada da casa, fechada com barras de ferro. Eu retirava as barras, abria a porta, e saia. O sol estava começando a nascer. Lá estava a praça quase deserta com suas tipuanas, ipês e palmeiras. Assentava-me então num banco e ficava ouvindo longamente o canto dos pássaros pretos, sozinho.
A trilha menos pisada é a trilha dos hereges, dos bufões, dos poetas, dos profetas. Esses foram sempre meus melhores amigos. T.S. Eliot tem um aforismo que diz: “Numa terra de fugitivos quem anda na direção contrária parece estar fugindo.” Não sei se a minha era uma terra de fugitivos. Só sei que desde pequeno eu andava ao contrário. Lembro-me de quando vivi numa cidade do interior de Minas onde todo mundo era católico. Eu era protestante. Quando o padre com suas vestes negras chegava ao Grupo e chamava as crianças para a confissão eu tinha de me levantar e dizer: “Eu não vou...” E assim tem sido, através da minha vida. Nunca consegui pertencer a um rebanho fosse qual fosse o seu nome: igreja, clube, partido, escola de pensamento, grupo profissional.
Agora, faz poucos meses, fiquei conhecendo o poeta José Régio. Vou transcrever alguns trechos do seu poema “Cântico Negro”. “’Vem por aqui’ – dizem-me alguns com olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: ‘Vem por aqui’! Eu olho-os com olhos lassos, ( há nos meus olhos ironias e cansaços) e cruzo o braços, e nunca vou por ali. Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.Ide!Tende estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios. Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue e cânticos nos meus lábios... Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Que ninguém me diga: ‘vem por aqui’! Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”
Mas há uma contradição que bem percebo. Não vou pelos caminhos dos outros. Mas ao escrever eu não estarei convidando os que me lêem a seguir o meu caminho? Como se eu lhes dissesse: “Vem por aqui!!” Não, não, não! Não quero transformar minhas caminhadas solitárias em procissões ou comícios. Não quero seguidores. Quero continuar a caminhar sozinho. É bom caminhar sozinho. E o caminhar sozinho não faz caminhos para os outros. O meu caminho é só meu. “Caminhante, não há caminhos”, dizia Antônio Machado. “Os caminhos se fazem ao caminhar...” Cada um tem de fazer o seu próprio caminho. A alma é o caminho. É preciso encontrar esse caminho. Estranho, porque é um caminho que não leva a nada. Mas os cenários à beira do caminho são maravilhosos. Assim, só posso repetir o conselho de D. Juan, o bruxo: “Todos os caminhos conduzem ao mesmo fim. Escolhe, portanto, o caminho do amor”.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Se cada um fizesse a sua parte...

A princípio parece ser muito simples, e muitas pessoas acham que sabem o que significa isso, mas no fundo não sabem, e não é tão simples assim como deveria ser.
Imagine a cena: você trabalha em uma empresa com vários funcionários divididos em vários setores. Cada um tem sua função específica, e o bom andamento do seu trabalho depende das ações de algumas outras pessoas de outros setores. Entretanto, algumas dessas outras pessoas das quais você precisa e depende não são muito colaborativas, não estão muito a fins de trabalhar e não se importam nem um pouco se essa atitude prejudicará ou não os demais ao seu redor, por isso simplesmente fingem que não têm nada a ver com o assunto e, por não fazerem a sua parte, acabam atrapalhando o resultado final do trabalho. E, é claro, se você é o responsável por este trabalho, independente de você ser o causador ou não do problema, obviamente a bronca vai sobrar para você.
Cada pessoa nesse mundo desempenha um papel em cada área da sua vida e em cada um desses papéis precisamos fazer a nossa parte, para que o processo aconteça, para que não fique nada parado nas mãos de ninguém, aguardando a atitude que deveríamos ter tomado, mas não tomamos sabe-se lá por que, mesmo sabendo que deveríamos tomá-la.
Ninguém consegue viver sozinho. Querendo ou não, dependemos de outras pessoas para que algumas coisas caminhem, e se a pessoa da qual você precisa não colabora, como é que as coisas saem?
Se cada um fizesse a sua parte, o mundo seria um lugar muito melhor para se viver, pois juntando a parte de cada daria um todo perfeito. Mas, não. As pessoas acabam se contaminando pelos maus pensamentos, aliás, isso chega a ser até engraçado: as atitudes boas não inspiram ninguém, mas as ruins carregam multidões consigo: se o fulano não faz tal coisa, por que eu vou fazer? Se todo mundo joga lixo na rua, não é o meu papel de bala que vai fazer a diferença na enchente. Mas o problema é que faz. Cada pessoa que negligencia algo por acreditar que já que ninguém faz a sua parte, ela também não vai fazer, está prejudicando um setor, uma família, um amigo, um sentimento, um país, uma nação, pois a sua parte é uma parcela do todo, e essa parcela faz muita diferença no resultado final.
Se eu disser que não desanima olhar para o lado e ver que o outro não faz a sua parte e não ter vontade de desistir, é mentira. A falta de comprometimento do outro causa revolta em nós, pois, com certeza, se ele não faz a sua parte, teremos que fazer a dele e a nossa se quisermos que as coisas andem, e se fazer a nossa parte já é difícil, imagina ter que fazer a do outro também? Mas a questão vai muito além disso: não podemos simplesmente nos igualar às coisas e pessoas que criticamos. Deixar de fazer a nossa parte também por revolta ou por achar que isso é justo conosco, apenas empurrará as nossas responsabilidades para outras pessoas e, assim, estaremos agindo exatamente da mesma maneira que todas as outras pessoas negligentes. Será que é isso que queremos, ser igual àquele que tanto criticamos? Porque, pode acreditar numa coisa: neste mundo, ainda existem pessoas que, acima de tudo e de todos, arregaçam as mangas e continuam fazendo a sua parte e a dos outros que não fazem, enfrentando todas as adversidades que surgem no caminho, mas cumprindo com as suas obrigações e até mesmo com as que não são suas, em busca, sempre, de um ambiente melhor. São estas pessoas que ainda trazem consigo a esperança de dias melhores, e são essas pessoas que simplesmente fazem acontecer, não ficam sentadas se lamentando e esperando por nada e nem por ninguém. Elas simplesmente vão lá e fazem, não importa o quanto isso custe.
É muito fácil culpar os outros por não fazerem a sua parte, mas, mais difícil ainda, é não se igualar a eles e negligenciar a sua. Aliás, fugir é muito mais fácil do que lutar.
Bom mesmo seria se cada um assumisse as suas responsabilidades e seus compromissos. Mas já que isso não acontece, que sejamos capazes de fazer as coisas acontecerem, não importa como e nem quanto esforço tenhamos que fazer para conseguir. O mundo é daqueles que não desistem jamais de seus objetivos. Podem mudar a direção, mas jamais desistir!

Meu coração está esfriando

Eu sempre lutei tanto para ter o amor das pessoas ao meu redor, me entreguei de corpo e alma, passei por cima do meu orgulho, perdoei o imperdoável, calei a dor que se instalou no meu coração e hoje eu me pergunto, depois de uma longa reflexão: para quê tudo isso?
Sei lá, chega um momento em que o coração fica tão cansado de tentar que começa a esfriar, os sentimentos já não são os mesmos, a vontade de tentar já não é tão grande quanto o impulso de desistir, e eu me pergunto: aonde tudo isso vai me levar?
Eu vejo a minha vida passando, enquanto eu espero por um sorriso que nunca vem, por um carinho que eu nunca sinto na pele, por um beijo que nunca chega aos meus lábios, por um futuro que simplesmente não vai acontecer, embora seja o único plano que eu tenha para a minha vida neste momento...
Eu amo muito, amo de uma maneira que eu julgava impossível alguém amar, mas a apatia invadiu o meu coração e está se instalando aos poucos, tomando o espaço do meu desejo de tentar. Parece que há um momento em que a luta se transforma em humilhação, onde finalmente se nota que não há mais nada a ser feito senão deixar pra lá. De repente se constata de que palavras que não são ouvidas não valem a pena ser ditas e eu acho que é nesse momento que a desistência torna-se não somente uma opção viável, mas a cura para todos os males que nos acometem.
Não foi nada disso que eu desejei para mim. Não foi nada disso que eu desejei para nós dois. Eu sempre acreditei no amor, mesmo quando ele, por várias vezes, me abandonou. E quando os nossos olhares se encontraram, eu tive a certeza de que era você a pessoa certa para mim, e de que era eu a pessoa certa para você. Mas, infelizmente, o amor é como um jogo, onde se é necessário arriscar tudo em um simples palpite, e, muitas vezes, nos enganamos. E de repente é como se o silêncio fosse a única canção que meu coração queira ouvir, é como se o nosso amor fosse uma noite, e de repente o dia simplesmente amanhecesse. Não é uma tentativa de colocar a culpa em você, é apenas a constatação de que nem todas as pessoas que amam são correspondidas, e de que este amor para você nunca significou o que ele significa para mim. Hoje eu sei que para você tanto faz se eu ficar ou se eu partir. Hoje eu sei que os planos que eu fiz para nós dois não têm nada a ver com os planos que você fez para você mesmo. Hoje eu sei que por mais que eu me importe com você, você não está se importando nem um pouco comigo. Hoje eu sei que por mais que eu te ame, meu amor não é o suficiente para nós dois. Hoje eu sei que este amor que eu sinto de nada vale se você não me amar também...
Talvez seja por isso que meu coração venha esfriando cada dia um pouco mais, pois, finalmente, meus olhos perdidamente apaixonados estão tomando um rumo e enxergando que insistir em algo que apenas eu quero, não é o caminho para a felicidade.
É difícil admitir que se ama sozinho, é mais difícil ainda aceitar que a pessoa que um dia esteve ao seu lado, hoje já não faz mais questão de estar, mas talvez encarar a verdade de frente e até sofrer com ela seja o caminho para a libertação. Eu ainda não sei direito qual é o caminho certo, mas posso dizer que não é o que eu estou seguindo. As vezes deixar para lá é a única solução viável, por mais que doa. E eu simplesmente não vou mais tentar, por mais que eu te ame. De uma vez por todas, quem vai decidir é você. Quanto a mim, simplesmente aceitarei a sua decisão, seja ela qual for...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Indignação

Acordo todos os dias às 5h25 da manhã, fico mais de uma hora dentro de um ônibus lotado para chegar ao trabalho, passo por poucas e boas em um ambiente corporativo composto por um monte de funcionários públicos que ganham muito mais do que eu e simplesmente fingem que trabalham, carrego 4 setores nas costas, ouvindo um monte de gente chamar o meu nome o dia todo e me passar os mais diversos serviços, sou cobrada o tempo inteiro, sem nunca receber sequer um elogio ou uma palavra de reconhecimento, tenho que fazer o trabalho dos outros, sou completamente ignorada quando peço ajuda, tenho que ser autodidata e vidente, além de ter nervos de aço para conseguir passar 8h24 dentro deste ambiente sem surtar, sem detalhar a parte de que, desde que coloquei os pés nesta referida empresa, há quase dois anos, jamais tive um treinamento completo e decente, tudo o que sei foi construído com a bondade e boa-vontade de uma ex-funcionária, que ajudou o quanto pôde e sem ganhar nada por isso (a pessoa em questão terá minha gratidão eterna, pois foi um anjo na minha vida) e com o meu esforço em aprender errando, buscando soluções e tentando aprender sozinha.
Como se isso não bastasse, junto todas as forças que ainda restam (que não são muitas, afinal, a desmotivação é uma doença que, quando ataca, vem para destruir tudo o que você construiu com tanta luta e esforço, pois ela tira a sua vontade de agir e você acaba negligenciando tudo na sua vida) e vou para a faculdade, que foi um sonho que nutri por muitos anos da minha vida, mas que tive que adiá-lo por causa da falta de dinheiro, e me doía cada vez que via meus amigos da mesma idade que eu no 2º ou 3º ano e não podia evitar o pensamento de que nunca chegaria lá. Mas a sorte foi minha companheira, passei em um concurso público em 2º lugar (tecnicamente em 1º, visto que o 1º lugar, com apenas 0,04 pontos de diferença de mim, não ficou com a vaga), assumi o cargo e ganhei uma bolsa de estudos como benefício. Estou no 2º ano de um curso que não é o meu sonho de carreira, mas, mesmo assim, me traz muito orgulho e me surpreende cada dia mais, tornando-se o ideal que quero seguir para a minha vida neste momento.
Todas as pessoas da sua sala têm, no mínimo, 19 anos de idade, o que subentende que são todos esclarecidos e maduros o suficiente para encarar a seriedade e a dificuldade de se fazer um curso superior. É aí que está o engano. Algumas pessoas agem igual, ou até pior, do que crianças de 8 ou 9 anos. Inclusive, vejo coisas que nunca vi alunos fazerem nem quando eu estava na 2ª série do Ensino Fundamental.
Obviamente, os professores se irritam com este tipo de comportamento, afinal, eles não passaram vários anos de sua vida estudando e se especializando para bancarem as babás dentro da sala de aula. Aliás, se eles quisessem assumir este papel, com certeza estariam dando aulas para o jardim de infância, e não adquirindo sólidos e novos conhecimentos para transmiti-los aos que, eles julgam, ser o futuro do país. Sinceramente, eu não sei e nem me interessa saber quem paga a faculdade desses indivíduos, mas devo admitir que se são os pais deles tenho muita pena do dinheiro que eles estão jogando no lixo, sem sequer imaginar que seus filhos, além de não absorverem nenhum conhecimento durante a aula, ainda atrapalham aqueles que estão interessados em aprender.
Não vou dizer que sou uma santa, pois estaria mentindo. Não vou dizer que não converso em nenhuma aula, que sou uma aluna exemplar, super estudiosa e que só tiro notas maravilhosas, pois seria tudo conversa fiada. Mas uma coisa eu posso dizer com toda a certeza desse mundo: nunca atrapalhei o ensino de ninguém. Se eu não estou afim de assistir a uma aula, se não é um assunto que desperte meu interesse eu simplesmente me retiro da sala ou nem vou para a faculdade, pois tenho essa consciência de que a minha liberdade termina aonde começa a do outro e eu não tenho o direito de incomodar os outros que estão interessados em aprender. Violar este direito do outro é ir na contramão de todas as regras de bom convívio social. Eu estou pouco me lixando se o cara acha que porque ele paga a porcaria da mensalidade, tem o direito de entrar na aula só para ganhar uma maldita presença e ficar infernizando a vida dos outros.
Eu converso durante a aula? Não posso mentir: às vezes, sim. Mas procuro respeitar ao máximo quem está ao meu lado, falando baixo. Odeio alguns professores e acho suas disciplinas insuportáveis? Sim. Mas nem por isso atrapalho a aula do cara por pura vingancinha ridícula. Eu não tenho mais idade para esse tipo de imbecilidade, e nem estou indo para a faculdade para fazer networking. Se o meu objetivo central fosse fazer amigos e me tornar popular, sinceramente iria para alguma balada na Vila Olímpia, não para um local onde terei que ficar três horas e pouco sentada numa carteira desconfortável ouvindo assuntos que muitas vezes não chamam nem um pouco a minha atenção, depois de um longo dia de trabalho estressante.
Como se isso não bastasse, por causa das atitudes imbecis de 5 ou 6 pessoas, uma sala de aula inteira paga, pois os professores se irritam com aquele pequeno grupo e acabam descontando sua raiva em todos os que estão ali, inclusive os interessados em aprender.
Aconteceu comigo ontem e, dificilmente, eu me abalo com este tipo de coisa, mas, nesse caso, não teve como: estava em uma aula de Matemática Financeira, com a HP na mão, a apostila na carteira, as folhas de fichário espalhadas pela mesa, copiando matéria da lousa e tentando entender aqueles malditos exercícios de juros compostos, povinho lá do fundo conversando e rindo em tom altíssimo, como sempre, quando surgiu uma dúvida numa passagem do exercício. Esperei que o professor terminasse sua explicação, ergui a mão, exatamente no mesmo momento que um amigo meu, e expus minha dúvida que, inclusive, era a dúvida dele também. Estávamos quietos, eu, pelo menos, não havia proferido uma palavra sequer nesta aula, justamente porque eu queria prestar atenção máxima nestes exercícios, pois na P3 que fizemos percebi que não estou tão bem nesta matéria quanto imaginava, vi que meus conhecimentos sobre juros compostos não ajudam muito, uma vez que a HP é a protagonista deste espetáculo e eu ainda não me familiarizei com ela.
O referido professor, em um tom bem hostil e debochado, disse que nossa dúvida não era problema dele, que é claro que não havíamos compreendido, já que o fundo da sala não calava a boca, falava mais que um monte de “putas velhas”. Após este show de falta de respeito e educação, simplesmente nos ignorou e voltou a explicar a matéria olhando para o pessoal que senta na frente. Confesso que na hora, o choque foi tão grande que eu não consegui responder nada, fiquei olhando para ele e me perguntando o porquê daquela atitude, já que não éramos nós que estávamos conversando. Ao final da aula, com o sangue quente, os olhos marejados e muita raiva daquela humilhação pública, fui até a sala dos professores, acompanhada do amigo que levou o carão junto comigo, questioná-lo sobre o porquê daquela atitude extremamente grosseira e desnecessária, uma vez que estávamos quietos. Com a prova dele nas mãos, que eu havia acabado de receber, mostrando uma nota 7,5, me senti no direito de saber porque fui tratada daquela maneira. Ele veio argumentando que somos bons alunos, mas que a sala estava uma zona e que nós somos responsáveis por manter os caras de boca fechada. Explicamos para ele que já se tentou de tudo dentro daquela sala, mas que essas pessoas não se tocam e continuam tumultuando as aulas. O que nós podemos fazer? Virar para trás e mandar todo mundo cala a boca? Comprar um revólver e meter bala na cabeça de todo mundo? Desde quando sou pai e mãe de algum deles para ditar regras e impor respeito? Isso não é obrigação minha! Se eles não estão afim, o problema não é meu. Meu aprendizado não pode ficar comprometido por causa da infantilidade e irresponsabilidade dos outros. Ele pediu desculpas se “de alguma forma” o que ele disse nos ofendeu (e por que ofenderia, não é?), mas continuou mantendo sua posição de que nós é que devemos colocar ordem na sala. Saí dessa conversa tão nervosa que acabei descobrindo o que significam as crises que andei tendo nos últimos dias, com pontas dos dedos e boca formigando: nervoso.
Depois deste fato, fiquei ferida de morte. Até quando os justos terão que pagar pelos pecadores? Eu entendo perfeitamente o lado do professor, afinal, deve ser muito difícil dar aula nestas condições, com uma sala contendo pessoas incapazes de agirem como adultas, mas isso não dá a ele o direito de fazer o que fez, pois eu não posso ser responsabilizada pelo comportamento alheio.
É nestas horas que me pergunto até onde querer agir da melhor maneira possível é vantajoso. Eu sempre tento dar o melhor de mim em todos os quesitos da minha vida, mas tudo que tenho recebido em troca nos últimos tempos é descaso, broncas, ignorância e muitos motivos para me decepcionar com a vida e com o mundo. Depois as pessoas ainda me perguntam por que eu estou desmotivada, por que eu não tenho mais vontade de viver, nem de trabalhar, nem de ir à faculdade, nem de fazer qualquer outra coisa nessa vida! Parece que quanto melhor tentamos ser, pior é, e quando essas coisas vão se repetindo dia após dia, acabamos sendo contaminados pela parte ruim. Já que ser bom não me traz vantagens, que sejamos maus então. Pelo menos assim ninguém sofre. Vejo pessoas que não merecem chegar ao topo, mas, mesmo assim, estão lá, enquanto pessoas que se esforçam muito estão sempre degraus abaixo. E eu pergunto: é isso que é justiça? Quantas pessoas lutaram para passar de ano na raça, fizeram um monte de exames, estudaram como loucos e passaram, enquanto soubemos de pessoas que ganharam 2 ou 3 pontos dos professores no final do ano e agora estão sentados na mesma sala que nós, atrapalhando o nosso desempenho?
A minha pergunta é uma só: até quando a inversão de valores será tão grande? Até quando o mau sairá ganhando em tudo?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ainda Esperando

Like A Stone (tradução)
(Audioslave)

Numa tarde sombria
Em um quarto cheio de vazio
Ao lado de uma auto-estrada, eu confesso
Eu estava perdido nas páginas
De um livro cheio de morte
Lendo como nós morreremos sozinhos
E se nós formos bons, seremos enterrados para descansar
Em qualquer lugar aonde queiramos ir

Em sua casa, eu anseio estar
Cômodo a cômodo, pacientemente
Vou esperar por você lá
Como uma pedra, vou esperar por você lá
Sozinho

E no meu leito de morte, vou orar
Aos deuses e aos anjos
Como um pagão, a qualquer um
Que me levar para o céu
A um lugar que recordo
Eu estava lá tanto tempo atrás
O céu estava roxo
O vinho foi extraído
E lá você me enganou

Em sua casa, eu anseio estar
Cômodo a cômodo, pacientemente
Vou esperar por você lá
Como uma pedra, vou esperar por você lá
Sozinho

E continuei lendo
Até que o dia se acabe
E eu me sente, pesaroso
Por todas as coisas que fiz
Por tudo que abençoei
E tudo o que eu tratei injustamente
Em sonhos, até a minha morte
Eu continuarei vagando

Em sua casa, eu anseio estar
Cômodo a cômodo, pacientemente
Vou esperar por você lá
Como uma pedra, vou esperar por você lá
Sozinho

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Enquanto o dia amanhecer ainda haverá uma esperança
E enquanto houver esperança, nela me agarrarei
Para suportar o vazio das suas palavras soltas ao vento
E a escuridão do seu triste adeus...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Aprendendo a Viver

Aprendi que se aprende errando
Que crescer não significa fazer aniversário.
Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem.
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro.

Que amigos a gente conquista mostrando o que somos.
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim.
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face.
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela
Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida.
Que amar significa se dar por inteiro
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos.
Que se pode conversar com estrelas
Que se pode confessar com a Lua
Que se pode viajar além do infinito
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde.
Que dar um carinho também faz...
Que sonhar é preciso
Que se deve ser criança a vida toda
Que nosso ser é livre
Que Deus não proíbe nada em nome do amor.
Que o julgamento alheio não é importante
Que o que realmente importa é a Paz interior.
"Não podemos viver apenas para nós mesmos.
Mil fibras nos conectam com outras pessoas;
e por essas fibras nossas ações vão como causas
e voltam pra nós como efeitos."

(Herman Melville)

A Porta do Lado

(Drauzio Varella)

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...
É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia. Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.
Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.
Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.
O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.
Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.
O mundo versus eles.
Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.
Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.
Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.
Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado."
Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!

Eu odeio telefones celulares

Sim, sim, eu sei que muitos vão me dizer que este aparelho foi uma das melhores invenções do mundo, que é um dos maiores exemplos do avanço tecnológico, que é prático, que facilita a nossa vida etc, etc e etc. E, eu até concordo com tudo isso, mas, mesmo assim, continuo odiando o celular. Aos que o amam, por favor, me perdoem!
Mas é que no meu caso, ele é um cruel criador de ilusões, um insuportável destruidor de sonhos e um maldoso criador da ansiedade, além disso, qualquer pessoa que consiga o seu número é capaz de te encontrar a qualquer hora do dia, em qualquer lugar que você estiver, inclusive na sua cama. É muito fácil dizer: simplesmente desligue o celular ou não atenda a pessoa indesejada. Eu sei que muita gente consegue fazer isso, mas e eu que não tenho coragem, como fico?
Quem nunca passou pela desagradável situação de ficar o dia inteiro grudado nesse aparelhinho maldito, aguardando uma ligação, mesmo que seja a cobrar, um torpedo, ou um simples toque anunciando que não tem crédito para ligar, mas que quer falar com você, daquela pessoa especial, que faz o seu coração bater mais forte, e esse ingrato não fazer nem um ruído sequer? É claro que a culpa não é do celular, e sim da pessoa, que se não fez nenhum tipo de contato é porque simplesmente não está afim de falar com você. Mas nós, na condição de brasileiros que não desistem nunca, culpamos sempre a operadora de celular ou o fabricante do aparelho: será que a porcaria da Claro não está recebendo mensagens? Motorola filha de uma p#$@ que só faz esses aparelhos que não prestam! Será que meu celular está sem sinal? E lá vai você levando seu celular até para o banheiro, buscando o local onde ele fique com todos os seus pontinhos de indicação de sinal acesos, mas mesmo assim, ele não toca. Você aumenta o volume, troca a musiquinha, troca o papel de parece, faz o escambal, e ele continua não tocando. Aí você manda mensagem para todos os seus amigos, na esperança de que nenhum deles responda e isso signifique que eles simplesmente não receberam a mensagem porque seu celular está com problemas, afinal, é muito mais fácil acreditarmos que o problema é com a operadora ou com o aparelho, do que admitir que a pessoa pela qual estamos esperando simplesmente não está nem um pouco preocupada em nos encontrar. Então, todos os seus amigos respondem às suas mensagens, e você finalmente compreende que, sim, seu celular está funcionando maravilhosamente bem. E você nunca desejou tanto que houvesse uma pane geral na operadora de celular...
E aí começa a ansiedade: a que horas será que ele vai ligar? Se o celular pisca, corremos para ele para ver se é a tão esperada ligação. Não é. De cinco em cinco minutos o tiramos da bolsa, ouvimos seu toque sem ele sequer ter feito qualquer ruído. E só quando a noite já está virando madrugada é que percebemos que ele não vai tocar. Então, é o fim dos nossos sonhos... aí começam as lamentações, os xingamentos, as crises de auto-estima, a sensação de abandono, a tristeza e a solidão. Começamos a nos sentir a pior pessoa do mundo e sentimos inveja daquelas pessoas que atendem ligações o dia inteiro e acabamos por perceber que mal recebemos ligações dos nossos próprios pais.
Ainda na esperança de que a operadora nos tenha traído, ligamos para o número do qual esperamos por uma ligação a semana inteira. Caixa postal. Esta é sinônimo de desespero total. Será que ele não quer me atender? Será que ele está vendo que eu estou ligando? Mil pensamentos passam pela nossa cabeça. Na quinta tentativa, a pessoa atende natural, como se nada estivesse acontecendo. Por que você não me ligou? Estava ocupado demais, estava cansado demais, estava distraído demais... e então aceitamos qualquer desculpa esfarrapada como uma justificativa plausível, para não termos que encarar a verdade: a pessoa está pouco se lixando para você. Se você não tivesse ligado, talvez vocês só se falariam na próxima encarnação.
E você fica feliz por alguns momentos, até que o ciclo volta a se repetir. O maldito destruidor de ilusões não toca e não te deixa em paz. Ele é mau, é cruel, não tem dó nenhuma dos seus sentimentos. Ele te faz esperar por uma pessoa que nunca vem, por uma palavra que nunca é dita, por um gesto que nunca é feito...
Como eu queria que a Claro estivesse com problemas hoje...

Outro tipo de mulher nua...


(Martha Medeiros)
Leio que Fernanda Karina posará nua por R$ 2 milhões, depois leio que a revista não confirmou o convite, depois leio que ela vai posar sim senhor e vai utilizar o dinheiro numa campanha para eleger-se deputada, e no meio desta artilharia de informação eu fico tonta e me pergunto: quem diabos é Fernanda Karina? Ah, a secretária que esteve na CPI e que virou mais uma celebridade instantânea neste país surreal.

Nunca vi tanta mulher nua. Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata para tirar a roupa. Serviu cafezinho numa cena de novela? Posa pelada. É prima de um jogador de basquete? Posa pelada. Caiu do terceiro andar? Posa pelada.

Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, bastando pra isso uns retoquezinhos aqui e ali. Dá uma grana boa. E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê?

Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.

Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso. É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.

Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não boneca s de porcelana.

Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais. Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo. Mas agora não há mais charme nem suspense. Estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também. Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.

Não conheço strip-tease mais sedutor.

Amor Fugaz

(Gláucia Nasser)

Ele chega liga a TV pra mim
Ele não quer namorar
Não aquece, nem me tira o ar
Não me ganha com o olhar

Ele sai e diz que já vai voltar
Ele não quer namorar
Quando chega tão cansado, enfim
Ele nem olha pra mim

Meu bilhete esqueceu de ler
O meu beijo marca só papel
O seu colarinho em linho bom
Não conhece o meu batom

Eu quero mais, não apenas um amor fugaz
Eu quero mais e você tem muito mais pra dar

Eu quero mais, não apenas esse amor fugaz
Eu quero mais, nosso tempo a gente faz

Hoje cedo ouvi na televisão
Que o amor é quase assim:
Um pro outro e outro só pra si
Mas eu tenho outra versão

Já pintei as unhas de carmim
Pra chamar sua atenção
Tem perfume e luvas de cetim
Pra aumentar a sedução

Eu não quero ouvir outro chamar
Que nos tire do nosso lugar
Só um lindo dia amanhecer
De tanto te amar...

Quem apaga incêndio é bombeiro!

Muitas vezes quando estou trabalhando, começo a me perguntar por que não fiz um curso especial com o Corpo de Bombeiros, pois a minha função desde que eu comecei a trabalhar na instituição que estou atualmente, dois anos atrás, nunca foi de Auxiliar Administrativo, como está escrito na minha carteira de trabalho, mas sim de bombeira, pois a coisa que mais faço no meu ambiente de trabalho é apagar incêndios.
Mas, o que vem a ser o termo “apagar incêndios” dentro de uma empresa? Eu explico: sabe aquele trabalho que deveria ser feito pelo fulano, mas o fulano estava com preguiça e jogou nas costas do cicrano, o cicrano ficou com raiva porque aquele trabalho não é dele e empurrou para o beltrano, que estava ocupado demais tomando café e fumando e passou para o joão, que também não fez sabe lá Deus porque, até que chega o momento em que o prazo final de entrega deste trabalho se expira e, o que acontece? O trabalho cai em suas mãos para ser feito com a seguinte orientação: “é para ontem”. E você, que não faz nem idéia do que é aquilo, precisa sair correndo que nem um louco atrás de aprender o que é aquele trabalho e como se faz. E, o pior: quando você entrega o trabalho, que nem seu era, feito, não tem nem um sorriso de agradecimento do seu chefe, que ainda por cima acha que você não fez mais que a sua obrigação, afinal, hoje em dia, as empresas querem funcionários multifuncionais, ou seja, que são especializados em várias áreas.
Eu, particularmente, acho sensacional este termo multifuncional, que hoje é muito falado quando se aborda o assunto gestão de pessoas, inclusive, ser multifuncional não é bom só para a empresa, mas também para o funcionário, pois aumenta a sua empregabilidade. Mas a minha pergunta é: como uma empresa pode querer um funcionário multifuncional se ela não dá ao mesmo um treinamento compatível com as exigências que fará dele no futuro?
Compreendo também que o termo autodidata também está em alta hoje em dia, e que as pessoas que têm essa brilhante capacidade de aprender as coisas sozinhas são destaque nas corporações, porém, até mesmo as pessoas com essa sensacional qualidade precisam ser treinadas, afinal, uma coisa é ser autodidata, outra coisa é ser vidente, é ter que adivinhar o que o outro espera de você. Cada empresa tem a sua cultura, portanto, dificilmente você sairá de uma empresa e exercerá na outra para a qual você foi exatamente as mesmas funções exercidas na anterior. Todos nós precisamos de uma orientação a respeito de nossas atividades, mesmo que depois sejamos obrigados a buscar as soluções sozinhos, primeiro precisamos saber do que se trata o problema, precisamente. Não podemos pegar o bonde andando e já quererem que sentemos na janelinha. A coisa é muito mais séria e complicada do que parece e do que os gestores acham que é.
Treinamento é essencial a todas as pessoas, independente do seu grau de inteligência ou de capacidade, pois é nesta etapa que a empresa mostrará ao funcionário o que espera dele e ensinará o que deve ser feito, para que se possa cobrar dele no futuro. Acho um verdadeiro absurdo empresas que não dão treinamento adequado aos seus funcionários (algumas não dão nem o inadequado, ou seja, não dão nenhum treinamento) e depois vão para cima dele cheios de cobranças e repreensões. Só podemos cobrar do outro aquilo que demos a ele. E não é incomum ver empresas que recebem seus funcionários e os “jogam aos leões”, o colocam lá na função e ele que se vire para aprender. A verdade nesses casos é só uma: a pessoa pode até aprender como exercer a função, mas, muitas vezes, não sabe o que é a função, que é o principal. Mais do que saber fazer, precisamos saber o que e porque estamos fazendo.
Se eu gostasse de trabalhar sob pressão ou viver sempre uma aventura nova a cada dia, teria ido trabalhar na Bolsa de Valores ou no Corpo de Bombeiros.
Definitivamente, quem apaga incêndio, é bombeiro! Com um detalhe adicional: até para apagar o incêndio, ele é treinado!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

...Desvarios de uma alma vazia...

As lágrimas caem dos meus olhos e eu já não posso mais controlá-las. A partir do momento que alguém já não é mais capaz de segurar seu próprio choro, significa que chegou ao estado final de desespero e já não sabe mais para onde ir.
Não importa quanto sol faça lá fora, a minha vida é sempre nublada, meu coração é sempre frio e meu pensamento é sempre o mesmo. Na verdade o erro não está nas pessoas com as quais eu me relaciono, mas sim com a minha maneira de me relacionar e com a forma como eu enxergo a minha própria vida e o meu próprio eu.
Hoje eu vejo que, na verdade, eu não estou sofrendo agora. A realidade é que eu sempre sofri, nenhuma situação, pessoa ou fato da minha vida nunca foi capaz de apagar esta imagem horrível que tenho de mim e nem de acalmar a ansiedade que grita dentro do meu peito e me faz querer desistir todos os dias, porque para a mim a vida não tem sentido nenhum, nunca teve e me parece que nunca há de ter...
No dia em que eu achei que a felicidade faria parte dos meus dias, mais uma vez a vida veio me mostrar que se a felicidade de fato existe, ela não foi feita para mim. Eu já não sei mais o que eu faço, eu não consigo mais conviver comigo, eu não suporto mais dormir e acordar sempre com o mesmo pensamento, ter todos os dias iguais e ainda por cima ter que fingir que eu sou feliz, porque ninguém entende esse meu olhar vazio, ninguém entende esse coração machucado e triste, ninguém entende uma alma que foi destruída pela baixa auto-estima, ninguém consegue entender como uma pessoa que tem tanta vida como eu simplesmente desiste de viver...
Eu só queria me livrar desse sentimento que me sufoca desde criança, eu queria me enxergar de verdade, como eu sou e aprender a conviver comigo, pois quem sabe assim eu deixo de me sentir tão sozinha, eu deixo de achar que a vida é um longo labirinto sem saída e passo a acreditar que tudo pode ser diferente quando nos prontificamos a lutar. O problema é que a peça de teatro já começou há muito tempo e eu não quero atuar! Eu não estou pronta para ser quem eu sou, eu não estou pronta para viver tantas desilusões seguidas, eu não estou pronta para encarar a vida e suportar as más surpresas que ela reserva para todos nós, eu simplesmente não estou pronta para existir. Por que a vida real não é como as novelas, nem sempre as pessoas que nos machucam se arrependem, nem sempre o amor da nossa vida aparece no nosso portão, nem sempre acontece o que é justo, nem sempre a história tem final feliz.
Quem não sabe viver, não merece o dom da vida, é por isso que todas as noites eu ainda me pergunto por que eu estou aqui? Por que...

Insistência

Talvez você nunca entenda tudo o que eu já te disse até hoje
Mas para mim já não importa mais
Apenas o que importa é que eu disse tudo o que tinha para dizer
E que das minhas palavras você sempre vai lembrar...
Para mim já não importa mais para que direção o vento sopra
Apenas que para qualquer lado que ele vá,
Ele me levará a algum lugar
E eu já nem quero mais me preocupar em saber para onde
Afinal, não somos capazes de controlar o nosso próprio destino
Eu passei a minha vida inteira querendo administrar os meus passos
Para só agora compreender que a vida nos leva a caminhos desconhecidos
Nem sempre tudo o que parece é
Mas eu passei muitas noites em claro sofrendo até compreender isso
Eu tive que deixar a dor corroer todo o meu coração para enxergar
Que nem tudo nessa vida podemos entender ou explicar
É como se até o sofrimento estivesse programado para acontecer
Com o objetivo de nos ensinar as lições e nos fazer crescer
Talvez você nunca compreenda o meu olhar
Mas mesmo assim, eu sei que você nunca se esquecerá dele
Porque as coisas que não compreendemos simplesmente nos incomodam
E este incômodo permanece vivo na memória enquanto for incômodo
É por isso que eu não consigo tirar você da minha vida
Eu tento te entender, mas você torna isso impossível
E a cada obstáculo que você coloca entre nós dois eu insisto
Insisto porque eu quero te entender e desvendar os seus mistérios
Insisto porque minha alma clama por esse amor
Insisto porque meu coração já não enxerga mais nada que me faça sentir-se tão viva quanto a sua presença
Insisto porque quando o amor invade a nossa vida não podemos controlá-lo
Insisto porque uma força maior me obriga a insistir
Porque se eu pudesse e conseguisse, eu já teria desistido...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quem vive de passado é museu


Odeio clichês, mas existem algumas coisas que queremos dizer e não encontramos outro meio de fazê-lo senão pelos nossos velhos bordões. Estou usando este clichê para falar de um assunto que todos nós já sabemos, mas que insistimos em fazer completamente o contrário quando se trata de colocá-lo em prática na nossa própria vida.
Aquela nossa eterna mania de remoer o passado, de ficar repassando as histórias e procurando erros que cometemos para nos culpar pelo resto da vida por determinada coisa não ter dado certo. Agimos dessa maneira sem perceber o quanto nos prejudicamos com tal atitude, perdemos o sono, passamos por constantes crises de ansiedade, passamos o resto da vida sofrendo por uma situação que já passou e não tem mais conserto e acabamos nos esquecendo de que, até com os erros aprendemos.
E daí se realmente erramos? Todo mundo erra, e isso é fruto da nossa imperfeição; neste caso temos que nos perdoar e aprender a lição que o erro trouxe. Mas, e se foi o outro que errou? Então, perdoá-lo e esquecer é o caminho para seguir em frente com a vida sem dor ou mágoa. As lembranças são inevitáveis, significam que já vivemos uma história marcante, mas passar o resto da vida remexendo e analisando um passado que já não volta mais não trará nenhum benefício. É muito mais gostoso guardar só as melhores lembranças do que um dia já foi felicidade, aprender com os erros e apagá-los de vez e buscar um novo caminho, com novas situações, com novos aprendizados e sem cometer os mesmos erros do passado, afinal, o aprendizado só é realmente aprendizado quando não repetimos mais o que um dia já nos machucou.
Remoer as situações faz mal à alma, gera pensamentos e sentimentos negativos e traz às nossas vidas o eterno fantasma do medo. Passamos a ter um medo enorme do passado, medo de errar no presente e no futuro novamente, medo de que fatos ou pessoas daquele passado voltem para nos atormentar, e, às vezes, ficamos tão fixos numa idéia que ela acaba sendo reproduzida em nossa vida, afinal, não dizem que a gente atrai tudo com a força do pensamento? Pois é, então ficar relembrando coisas ruins, provavelmente só trará mais coisas ruins para a sua vida.
Eu sei que é muito difícil não remoer o passado, afinal, existem coisas que acontecem em nossas vidas tão de repente e de maneira tão inexplicável que nós, com o nosso péssimo hábito de querer manter todas as situações sob controle, ao nos depararmos com uma que simplesmente fugiu desse senso comum nos desesperamos, queremos explicações, queremos saber o porquê, queremos revirar o passado e compreender exatamente o que aconteceu, para tentar minimizar uma culpa que às vezes nem é nossa de fato, mas, que nessa terrível mania de querer compreender e dar explicação a tudo, acabamos atribuindo a nós uma culpa que não nos cabe, apenas para dar à história um culpado e mostrar a nós mesmos que sempre encontramos resposta para tudo.
Mas nem tudo o que acontece em nossas vidas tem um por que. O fato de você ter sido abandonado(a)pela pessoa que ama não significa que você é uma má pessoa ou cometeu algum erro, pode significar simplesmente que o outro se apaixonou, que está confuso ou que não era a pessoa certa para você. O fato de você ter perdido o emprego não significa que você era um funcionário incompetente, pode ser apenas um corte no quadro de funcionários e você teve o azar de ter sido escolhido, ou pode ser que a pessoa que indicou seu nome não gostava tanto assim de você. Compreender que nem tudo o que acontece em nossas vidas tem uma explicação plausível é o primeiro passo para aprendermos a perdoar e esquecer, seguindo nosso caminho com o coração em paz e com a mente aberta para novas experiências.
Ninguém pode viver feliz se estiver preso ao passado, mesmo que tenha sido um passado feliz, afinal, a divisão da nossa vida em três partes (passado, presente e futuro) mostra exatamente como devemos separar os fatos de nossas vidas e colocá-los em seus devidos lugares e vivê-los no seu devido tempo.
Jamais podemos transformar a saudade em esperança. Jamais podemos fazer das lembranças nosso porto seguro. Não podemos nos agarrar a sonhos ou ilusões, precisamos construir cada dia de nossas vidas em fatos concretos. E o passado já deixou de ser concreto há muito tempo. Às vezes o que acreditamos ser o fim de nossas vidas, é apenas o começo de uma longa jornada que vai de encontro à felicidade...

Odeio puxa-saquismo corporativo

Sabe aquelas pessoas que adoram ser agradáveis, mesmo sendo odiadas pela empresa inteira? Sim, aquela pessoa que fala super mal de você para o seu chefe, queima o seu filme mesmo, inventa mentiras, faz fofocas infundadas, onde ela está envolve todo mundo em problemas e confusões, mas que sempre faz questão de bancar a “super legal”, a “super querida” e a “super popular”, como se o planeta Terra inteiro não pudesse viver sem sua “adorável” presença e seu “importantíssimo” trabalho?
Não estou falando de educação, não. Uma coisa é ter que conviver com pessoas que não gostamos, o que é uma situação completamente normal, acontece com todo mundo. Pode ter certeza de que nem nós agradamos a todos, com certeza deve ter alguém no nosso ambiente de trabalho que não nos suporta. Agora, outra coisa é bajular essa pessoa que não suportamos, é chamá-la pelo apelido, é convidá-la para almoçar com você, tomar cafezinho juntos, ficar de papinho... não suporto esse tipo de coisa!
Sou completamente a favor da diplomacia, já que temos que trabalhar no mesmo ambiente, significa que precisaremos viver em harmonia. Mas viver em harmonia não é sinônimo de ser falso. Sou a favor do profissionalismo, e não do mau caratismo e nem da dissimulação.
Confesso que às vezes eu ainda me surpreendo com a cara de pau de algumas pessoas com as quais sou obrigada a conviver no ambiente de trabalho. A pessoa não faz nada o dia inteiro (só “coça”, como se diz popularmente), gasta seu “precioso” tempo (ou leia também ocioso) fumando, tomando café e observando o comportamento alheio, para depois ir fazer fofocas (muitas vezes mentirosas e /ou exageradas) ao chefe e ainda tem a coragem de bancar a boa colega de trabalho, aquela pessoa meiga e dócil, completamente preocupada com o seu bem-estar. O pior de tudo é que todos da empresa sabem que esta pessoa não está onde está por competência (até porque se o requisito considerado fosse esse, a pessoa estaria é na rua...rs), mas sim pelo que eu vou chamar simpaticamente aqui de “favores prestados no passado que resultaram em garantia para o futuro”, mas ela mesma finge que não é isso, embora use deste benefício para agir da maneira que age (inclusive negligenciando o próprio trabalho). E o pior é que o puxa-saquismo corporativo já vem dos altos escalões, pois eu vejo um monte de gente que se odeia, que já quase chegaram aos socos e pontapés em reuniões se abraçando e se beijando no corredor, como se fossem velhos amigos! Quanto cinismo!
Na vida, não existe meio termo: ou somos pessoas boas ou somos pessoas más. E eu tenho muita raiva de pessoas que são más e se fingem de boazinhas. Para mim, bom mesmo é aquele ser que é um carrasco mesmo, se assume assim e ponto final. Já que ele é mau mesmo, não precisa fingir e nem tentar cair no meio termo. É mau e não tem conversa. Esse tipo de pessoa não representa perigo, pois você já sabe o que esperar dela. Agora, perigosas são as pessoas que são más, mas escondem a sua maldade por trás de um rostinho angelical e uma fala mansa e baixa. Estas pessoas sempre puxam o seu tapete depois de conquistar a sua confiança através do puxa-saquismo corporativo.
Há muitas razões pelas quais as pessoas fazem puxa-saquismo corporativo, mas, a principal delas, é para ser bem visto pelo alto escalão e subir de cargo. Por isso, muito cuidado: o puxa-saquismo corporativo pode acontecer com qualquer um de nós, e ele se torna um vício. Quando você começa a ser puxa-saco não consegue mais parar. É puxa-saco até de quem não vai te trazer benefício nenhum, ou seja, é puxa-saco pelo simples prazer de ser! E este puxa-saquismo todo pode até te dar mil cargos melhores e te fazer ganhar rios de dinheiro, mas, eu pergunto: e a dignidade, onde fica?
Eu estou fora desse jogo que, inclusive, eu acho nojento. Se um dia eu precisar disso para ser alguém na vida, infelizmente eu não serei, pois nunca puxei o saco de ninguém e nem vou puxar, se eu gosto de alguém, gosto de verdade. Se eu não gosto, limito-me ao convívio básico, puramente profissional. Portanto, tanto no sentido pessoal quanto profissional, se eu não gostar de você, não espere que eu vá te ignorar, mas também não espere que eu vá te dar o meu melhor sorriso, pois eu não vou. Eu não vendo a minha dignidade por nada desse mundo!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Para passar um grande amor

"...estou lembrando menos de você, falta pouco para me convencer, que sou a pessoa errada..." Aqui – Ana Carolina

Há mais ou menos 2 anos recebi a notícia que de precisaria passar por uma cirurgia de vesícula. Fiquei em pânico. Eu morro de medo de morrer e passar por um procedimento cirúrgico (que envolve maca, hospital, médico, e aparelhinho apitando o tempo todo) era a coisa mais assustadora do mundo para mim. Demorei mais de 6 meses para decidir fazer, aliás, esperei até as dores ficarem tão insuportáveis que não conseguia mais trabalhar direito e não tinha mais Buscopan que desse conta. Então, um dia, depois de conversar com muitas pessoas que haviam tirado a vesícula, decidi encarar.
Isso eu tenho de bom. Eu sinto o medo, admito o medo e, mais cedo ou mais tarde, eu encaro. Lá fui eu me preparar para a cirurgia. Arrumei um bom médico, fiz todos os exames, e num dia quente de novembro acordei cedo, peguei a minha mala pronta no dia anterior e fui para o hospital.
Meu coração batia tão forte que achei que fosse morrer ali mesmo, antes até da anestesia. Depois de me ajeitar no quarto, fui para o centro cirúrgico sem anestesia e nem aqueles comprimidinhos que dão para gente ficar “groge”. Fui assim, com a cara, a coragem e o enfermeiro grande e forte, que me levou para dentro de uma sala branca cheia de médicos que conversavam com que se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo (para eles era, claro).
Quando acordei, e demorei a acordar, estava mal. Tonta e muito enjoada. Vomitei e dormi uma infinidade de vezes até que comecei a conseguir ficar acordada. Meus pais, minhas irmãs e meu namorado da época estavam do meu lado o tempo todo. Quando passou o enjôo começaram as dores. Tentei tomar um banho mas quase caí no banheiro. Fui ancorada pela minha mãe. Sentia uma fraqueza inexplicável, um torpor, uma dor, tudo ao mesmo tempo. Passei assim uma semana. E tudo passou. Hoje eu não sinto mais aquelas dores horríveis, mas como todo mundo que tira a vesícula, já não posso comer qualquer coisa. O local dos pontos doem quando muda o tempo e eu sinto falta de um reservatório para as minhas mágoas (depois de tirar a vesícula, passei a falar muito mais o que eu penso).
Pois bem, e vocês me perguntando o que isso tem a ver com o amor? Bem, o amor vem, um dia. Ele chega te pega meio desprevenida, naquela hora em que você jura que não vai se apaixonar novamente. Às vezes vem numa pessoa que você nunca conheceria se não fossem circunstancias muito estranhas, que só são explicadas por pura sincronicidade. Você vive uma história de amor, linda. Com lindos momentos a dois, mãos dadas, sorvetes compartilhados, passeios que você não ousaria fazer sem o parceiro. E, da mesma maneira que vem, um dia, ele vai.
É, amor não é eterno. Mesmo que ele acabe no dia em que um dos dois morrer, ele acaba. Um dia você se vê sozinha novamente, no meio de um monte de lembranças. Fotos, recordações, ingressos de cinema, de teatro, presentes. Promessas de uma
vida inteira junto com aquela pessoa que parecia tão ideal, tão perfeita, que tudo o que você consegue sentir agora é um enjôo, um torpor e uma dor horríveis. Saudades, medos, inseguranças, parece que tudo vem à tona em todos os segundos do dia. Você acaba de acordar e pensa que ele foi embora e volta tudo de novo. Em sonho, às vezes, você o encontra. Mesmo que seja para ele te dizer que não, não te quer mais mesmo. O amor para a pessoa acabou. E para você não.
E dói. Como dói. Os dias vão se arrastando. Você vai tentando voltar a fazer tudo com alegria mas parece que não dá. Sei lá, não dá. Tem uma coisa no seu peito falando "desculpa, mas não dá". Você tenta, saí para balada, faz a fila andar, arruma outro namorado correndo. Ou então se fecha no seu quarto e chora todas as suas dores, entrando na sua vítima o mais fundo que pode. E a dor continua lá.
A semelhança entre os dois procedimentos é uma só: você precisa passar. Não se tira uma vesícula sem sentir toda a dor e ansiedade que ela causa, mesmo sabendo que, depois disso, virá à cura e você será infinitamente mais feliz. Não se cura uma dor de amor se não passar por ela, mesmo sabendo que, depois, você terá aprendido lições importantes e será infinitamente mais feliz do que antes. As dores são para serem vividas, passadas. Mesmo aquelas que te causam uma angústia horrível, que te fazem pensar em nem estar mais neste mundo, que te colocam frente a frente com todas as suas carências. Suas carências. Ninguém é carente do outro, mas acreditamos nisso. Acreditamos que o que nos dói é a falta do outro quando na verdade, é a falta da gente mesmo. É aquela pessoa que deixamos para trás quando decidimos acreditar que tudo seria tão perfeito com ele, com ela, que não precisaríamos de mais nada.
Aos poucos, nos recuperamos. E assim como uma cirurgia em que um órgão doente é extirpado, são extirpadas de nós as nossas ilusões amorosas. As festas de casamento da nossa mente, os laços, o bebê rosado e cheiroso. Vai sobrando o que sempre teve: uma linda história de amor, lindas lembranças e lindos aprendizados. A ferida aberta e pulsante vai fechando. Você tira os pontos, você vê a ferida cicatrizando, dia a dia. Possivelmente não será a mesma de antes. Não poderá mais comer qualquer coisa, não permitirá mais que entre qualquer coisa na sua vida. O grande perigo das dores de amores são os quelóides. A gente não deixar aquilo cicatrizar. Ficar amarga, distante. Dizer que não quer mais amar, não quer mais sentir aquela ternura por ninguém. Mas o tempo passa, e assim como você pode voltar a comer batata-frita, um novo amor poderá surgir. Mais maduro, menos cheio de ilusão. Não será como antes, porque você não é a mesma, mas será igualmente bom e reconfortante. E quanto menos ilusões criarmos com este novo amor, mais feliz para sempre seremos. Mesmo sem festa de casamento e promessas de vida eterna. Porque eternamente, minha amiga, você só vai ficar com você.
Viver hoje o que tem que ser vivido. Esta é a lição. Saber que se agora é um momento de reparação, de recuperação, é este momento que se deve viver. Assim como, um dia novamente, voltarão os momento de amor e de união. Confiar em si e no Universo. Sejamos felizes agora, com o que temos. O melhor sempre está a nossa espera!


(Andrea Pavlovitsch)

...Quem sabe um dia...

Eu sei que um dia tudo isso vai acabar novamente, sei que quando a porta se abrir e você me disser adeus mais uma vez, dessa vez será adeus para sempre.
Talvez até lá eu já tenha me conformado de que os nossos caminhos nunca conseguiriam se encontrar e quem sabe eu até me acostume com o silêncio longo e vazio que a sua ausência me traz. Quem sabe até lá eu perceba que nenhuma dessas lágrimas pode mudar a dura e fria realidade do adeus e pare de derramá-las, perceba que nada do que eu fiz ou possa querer fazer ainda será capaz de reescrever a nossa história ou de escrever sentimentos no seu coração. Talvez quando este dia chegar eu já tenha deixado de me culpar por todos os problemas do mundo e, por que não, já tenha até me convencido de que é melhor assim, que juntos nunca daríamos certo e, finalmente, solte a corda que me prende a você e a todo esse passado misto de alegria intensa e dor profunda. Quem sabe quando este dia chegar, eu já tenha aprendido a calar meus sentimentos e escondê-los em algum canto do meu coração e você nunca mais precise me ouvir dizer que eu te amo baixinho, enquanto estávamos deitados lado a lado e, se você não vai mais ouvir, não vai mais precisar fingir que não ouviu. Quem sabe quando este dia chegar, eu já seja forte o suficiente para suportar a dor da sua partida, e madura o bastante para saber que não há mais chance da nossa linda história de amor se repetir.
Talvez quando este dia chegar, eu vá saber te deixar ir sem me lamentar, mesmo que a dor esteja consumindo a minha alma e ferindo meu coração. Quem sabe até lá eu aprenda a rir de tudo isso, e eu vá até me sentir feliz por saber que você estará feliz e aliviado com o fim definitivo. Quem sabe até lá eu aprenda o valioso dom de esquecer, e consiga tirar da minha memória o único homem que eu realmente amei e amo nessa vida. Quem sabe até lá, eu consiga me desfazer dos meus sonhos, eu consiga apagar os planos que fiz de uma vida ao seu lado, eu seja capaz de me esquecer dos filhos que eu imaginei que teríamos e da vida de amor e alegria que eu sempre sonhei para nós dois.
Talvez quando este dia chegar, eu já tenha sofrido tanto que a dor já nem doa mais, que ela me servirá como uma anestesia, para me fazer enxergar a realidade como se não estivesse enxergando nada.
Quem sabe até lá eu aprenda que a decepção acontece com todo mundo, e que não há meio de mudar a decisão de alguém, e eu, finalmente, me conforme de que eu não posso mudar você, de que eu não posso apagar o seu passado e te fazer feliz, de que eu não sou a pessoa certa pra você e nem você é a pessoa certa para mim. Quem sabe até lá eu aprenda a minimizar a minha dor e a deixar que a vida e o tempo se encarreguem de curar as minhas feridas.
Quem sabe até lá o impossível aconteça e eu aprenda a viver sem esse amor e eu deixe até de amar, mesmo que seja só para não deixar as pessoas ao meu redor tristes ou preocupadas comigo, mesmo que seja só fingimento.
Mas, quem sabe, ainda, quando este dia chegar, você não mude de idéia e veja que me ama também e nós possamos ser felizes como eu sempre imaginei e lutei para que fôssemos... é por isso que eu ainda espero, porque enquanto houver uma vaga esperança, é nela que eu vou me agarrar, porque só eu sei o quanto dói ter que viver sem você...

Você pra sempre

(Inveja)
(Sandy e Junior)

Eu só quero estar no teu pensamento
Dentro dos teus sonhos
E no teu olhar


Tenho que te amar
Só no meu silêncio
num só pedacinho de mim

Eu daria tudo pra tocar você
Tudo pra te amar uma vez
Já me conformei
vivo de imaginação
E só não posso mais esconder...

Que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer
Eu tenho inveja do vento que te toca
Tenho ciúme de quem pode amar você
Quem pode ter você pra sempre...

Perdoa

Perdoa-me se eu deixei as palavras fugirem da minha mente e hoje eu já não tenho mais nada a dizer. Perdoa-me se eu ignorei todos os conselhos de todo o mundo porque o amor que eu sinto fala mais alto do que qualquer outra coisa, até mesmo do que meu orgulho. Perdoa-me se eu deixei a dor doer de um jeito que já não tem mais solução. Perdoa-me se estou te dando mais uma vez a chance de me abandonar. Perdoa-me se o passado ainda me assombra e as lembranças me fazem chorar. Perdoa-me por eu não ter aprendido ainda a superar nem esquecer, a dor ainda invade meu peito e estraçalha meu coração, e eu nada faço senão agir como espectadora do meu próprio sofrimento. Perdoa-me se eu falhei em todos os meus objetivos, se hoje eu já nem sei quem sou e por que estou aqui. Perdoa-me se tudo perdeu o sentido na minha vida e eu já nem sei mais que caminho seguir; para falar a verdade, eu nunca soube, eu sempre caminhei pela vida à toa, sem rumo, errando e sofrendo. Perdoa-me se nem eu mesma sei me perdoar, se eu sempre me culpo por tudo, até mesmo se o erro não for meu. Perdoa-me por ter desistido no meio do caminho, é que eu passei tanto tempo trilhando os caminhos errados que agora eu já não sei mais voltar. Perdoa-me por eu não conseguir me olhar no espelho, por não aceitar a imagem que lá vejo, por não suportar conviver comigo. Perdoa-me por não saber amar, e por acreditar que esse mar de sofrimento que banha a minha vida pode ser chamado de amor, afinal, amor de um só não é amor, o amor só existe quando duas pessoas se amam, o que não é o nosso caso. Perdoa-me se um dia eu tomar coragem e resolver partir de vez, é o que eu já deveria ter feito há muito tempo, mas meus pés me prendem ao chão do passado e eu não consigo sair, porque, apesar de tudo, eu ainda te amo. Eu já cheguei até a porta, mas eu nunca consegui sair, porque eu te amo. Eu já tentei ir embora, mas eu sempre te esperei aqui. Porque eu te amo. Eu quero ir embora e te deixar aí, mas eu não consigo. Porque eu te amo. Eu gostaria muito de não te amar, mas eu te amo...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Aparências


A vida vai passando rapidamente pela minha janela enquanto eu gasto o meu precioso tempo me preocupando com assuntos pequenos, quase insignificantes. Parece que às vezes me esqueço de que eu posso morrer a qualquer momento e desperdiço minha existência com medos idiotas, com ódios inúteis, com horas de sono desnecessárias, com pudores ridículos, com traumas infantis, com crises de ansiedade e depressão, esperando por pessoas que não se importam com a minha existência, preocupada por estar fora dos padrões de beleza e comportamento impostos pela sociedade e pela mídia. Gasto tanto tempo me preocupando com a opinião dos outros a meu respeito e com os seus sentimentos, que acabo me esquecendo de que a opinião mais importante para a minha vida, a que realmente pode mudar radicalmente minha maneira de agir e pensar, é a minha, e que os sentimentos que mais devem ser analisados e considerados por mim são os meus, pois anular a vida para viver a vida do outro, de nada vale. Não existe recompensa para a bondade na Terra. Não existe reconhecimento para as pessoas que amam e se dedicam demais aos outros. Nesse mundo de hoje, tudo é um grande jogo de interesses. São poucas as pessoas que realmente têm um ato de bondade e desprendimento, que dão o melhor de si sem esperar nada em troca, que o fazem simplesmente porque aquilo faz parte de sua índole. A nossa vida parece ter virado um enorme comércio, onde vendemos nosso sorriso em troca de um elogio, vendemos uma imagem perfeita, o amor não é mais amor, e sim uma veneração à aparência, os sentimentos de amizade foram quase todos substituídos por troca de favores, e a alegria que antes fazia parte da vida das pessoas, hoje se transformou no estresse dos longos dias de trabalho, nas tensões causadas pelas cobranças que sofremos todos os dias, de todos os lados, na frustração de alguém que queria seguir um caminho diferente do qual foi empurrado, na tristeza de não ser perfeito como o mundo e as pessoas exigem que sejamos, na dor de suportar tudo calado e fingindo que está tudo bem, que se é mais um em meio a uma multidão de pessoas indo e vindo todos os dias, fingindo que são importantes e têm objetivos na vida... porque, hoje em dia, somos tão pressionados a ser lindos, sarados, inteligentes, dinâmicos, sorridentes 24 horas por dia, maravilhosos e perfeitos, que gastamos todo o nosso tempo e energia tentando conquistar esse ideal impossível, pois ninguém é capaz de ser tudo isso de uma vez, e acabamos comprometendo a nossa felicidade. E o charme da vida e das pessoas está exatamente no fato de que ninguém é igual, e de que cada um se vira com as qualidades que lhe foram confiadas. Mas, não. Queremos sempre mais. Queremos que nosso cabelo seja liso, se ele é crespo. Se ele é liso, é liso demais, e fica sem graça. Queremos um corpo perfeito, mas não nos contentamos em ter todos os membros, nossas funções vitais funcionando e uma boa saúde, queremos vestir manequim 36 e ser glamurosos como os modelos das revistas e as atrizes da novela das oito, sem perceber que, na era do photoshop, qualquer um consegue parecer perfeito na capa da Playboy, e que um corpo bonito não traz felicidade a ninguém, e que as pessoas que não estão dentro dos padrões de beleza também são gente, também têm sentimentos e merecem respeito, atenção e amor, como todas as pessoas do mundo, independente de sua cor, raça, estatura, tipo físico e classe social.
Analisamos as pessoas de maneira superficial. Quantas e quantas vezes ouvi minha mãe dizer, ao contar histórias de separação de casais, a seguintes frases: “não sei como ele a deixou, ela é tão bonita!”. “Fulano não merece sofrer, ele é tão lindo!”. Como se apenas as pessoas feias tivessem que sofrer, que beleza é um pré-requisito que te coloca à frente das outras pessoas, como um ser superior.
Mas, então quer dizer que beleza é tudo? Porque se alguém me convencer de que é, eu juro que largo a faculdade agora, me matriculo numa academia, faço aquelas dietas loucas de “perca 20 quilos em um mês”, depois dou uma boa lipoaspirada, coloco um silicone nos seios, um botox na cara, dou uma alisada no cabelo, malho 12 horas por dia, e nas horas que sobrarem faço um networking, vou para a balada seduzir os carinhas, beijar 20 numa noite só, talvez voltar para casa acompanhada por um deles, de preferência o mais sarado da balada, para que eu possa matar as minhas amigas de inveja, e passar o restante dos meus dias condenada a nunca me prender a ninguém, pois a beleza abre meu leque de opções, e escolher um só não tem graça nenhuma, é muito pouco para a minha perfeição.
É este o conceito de felicidade? Felicidade virou sinônimo de futilidade? E a inteligência? E o sorriso encantador que compensa qualquer quilo a mais que possa existir? E os sonhos de se dividir a vida com alguém normal, que saiba apreciar uma boa conversa, sem se importar com o que está vendo, não conta? Será que somos todos obrigados a deixar de comer tudo o que gostamos, apenas porque a moda agora é ser magérrimo e lindo? Será que sou obrigada a andar na rua me sentindo culpada porque não tenho as medidas da Gisele Bundchen?
Até quando seremos escravizados pela podridão das aparências? Quantas auto-estimas mais sacrificaremos para manter este padrão de qualidade? Quantas pessoas mais faremos infelizes para fingir que somos perfeitos, que agimos e pensamos sempre da maneira correta, e que só existe uma fórmula para a felicidade? Por quanto tempo continuaremos mentindo para nós mesmos, acreditando que seremos felizes apenas quando atingirmos o grau máximo exigido pelo mundo, apenas para fugir das frustrações que carregamos conosco?
Até quando vamos ignorar os sentimentos das pessoas e agir como objetos? Até quando aceitaremos ser um simples pedaço de carne no enorme açougue da vida?
Eu não sou só isso. Eu tenho sentimentos. Posso não vestir manequim 36, mas também sonho em encontrar um grande amor e constituir família. Posso não ter uma carreira de sucesso e muito dinheiro no bolso, mas nem por isso não mereço ser feliz. Posso não estar estampada na capa da Playboy, mas também tenho a minha beleza. Pode não ser a beleza dos padrões internacionais, mas é uma beleza natural, que vem de dentro para fora.
De nada adianta um físico impecável e um rosto maravilhoso se eles escondem um coração podre.

“As flores são bonitas em qualquer lugar do mundo. Muita gente tem forma, mas não tem conteúdo”. (Charlie Brown Jr).

(Desabafo de alguém que há 22 anos sofre a Síndrome do Patinho Feio, foi educada para ter uma auto-estima péssima e sofre crises de ansiedade e depressão por sentir-se marginalizada pelas imposições do mundo).

Por que deixamos tudo para última hora?

Eu sempre pensei neste assunto, desde que ingressei para a maravilhosa (rs) vida de estudante, lá na 5ª série (digo a partir da 5ª série, porque antes disso, ainda somos crianças demais para perceber que a escola não é tão fácil quanto imaginávamos que seria – tudo bem que eu conheço pessoas que repetiram entre a 1ª e a 4ª série, mas acho que são casos raros e isolados... ou não...rs bom, isso não vem ao caso agora) mas só hoje, em meio ao perrengue que passei é que resolvi dissertar sobre isso.
Antes de mais nada, um pequeno esclarecimento: perrengue é uma gíria muito usada no Rio de Janeiro que significa, entre várias e várias coisas, dificuldade, problema. Dizem que eu uso palavras que ninguém nunca ouviu antes. Então estou explicando esta...rs
Continuando...
Meu Prof. de Economia das Empresas (por sinal, um cara muito inteligente e estudioso – e isso não é puxa-saquismo, é realidade) mandou um e-mail para todas as turmas do 2º ano de Administração que ele dá aula no dia 17 de março de 2008, informando que deveríamos entregar 15 exercícios no dia da prova P3, 07 de maio de 2008. Além deste aviso com mais de um mês de antecedência, destes 15 exercícios confesso que, no máximo, 2 ou 3 precisávamos buscar a solução – os outros estavam mastigados, alguns até efetivamente já feitos – era só copiar. Esses exercícios valem 1 ponto na nota da P1 e esse ponto ajuda muito, portanto, perdê-lo é um desperdício sem tamanho.
Muito bem. Não sendo suficiente termos mais de um mês para fazer os exercícios e estudar para a prova, emendei o feriado de 1º de maio tanto no trabalho quanto na faculdade, o que significa que eu fiquei 4 dias seguidos em casa. E o que pode significar que usei pelo menos uma tarde de algum desses 4 dias para fazer a atividade e estudar para a prova, certo? Errado! Eu não sei o que acontece comigo, tenho uma séria dificuldade em estudar sozinha e em casa. Começo a fazer as coisas e, quando me dou conta, já estou com o pensamento bem longe, ou estou em frente à TV e já anoiteceu, ou estou inventando qualquer coisa para fugir das minhas obrigações acadêmicas.
Até aí, nenhum problema, eu poderia fazer os exercícios durante a semana, afinal, de segunda para quarta são dois dias, dá tempo. Mas o que eu me esqueci de levar em consideração, é que eu acordo todos os dias às 5h25min. e só coloco os pés em casa novamente por volta das 23h20min., momento em que estou cansada demais para pensar em exercícios. Mal consigo fazer a minha marmita para o dia seguinte, quanto mais estudar! Não satisfeita com toda essa minha carga, ainda por cima estou compensando as emendas de feriado do mês de maio (2 dias, para ser mais exata, o que me dá um débito de 16 horas e 48 minutos com o IMES), e saindo às 18h30min do trabalho, para estar na faculdade às 19h20min para as aulas. Trabalho e estudo em São Caetano do Sul (o IMES tem dois campus na cidade – eu trabalho em um e estudo no outro), mas, acredite, às vezes chego a gastar meia hora de ônibus para ir de um campus para o outro, de tão estranha que é esta cidade! E, antes que eu me esqueça: mudei de setor, estou com umas 4 ou 5 funções acumuladas e está difícil até de arrumar tempo para respirar, imagina para estudar então...rs agora pegue tudo isso e some a uma pessoa que está completamente revoltada com a vida e desmotivada: com certeza, dá um problema muito grande!
Foi aí que começou o inferno... tentei fazer essa porcaria de atividade no horário de trabalho – impossível! Tenho tantos chefes que quando não é um me chamando é o outro, quando acaba o trabalho do Núcleo de RH, aparecem memorandos da Pesquisa Acadêmica para serem feitos e assinados, ligações para fazer, bagunça que os outros fizeram e eu tenho que arrumar, cagadas que os outros fizeram e eu tenho que consertar etc, etc e etc. Então, comecei a usar as aulas de outros professores para terminar a atividade, mas era pouca aula para muita atividade (afinal, pense: 15 exercícios de Economia das Empresas, com respostas de umas 10 linhas, pelo menos, cada um, mil gráficos e explicações para fazer e ainda ter que copiar o enunciado... trabalho pra car#@*$). E, além de terminar a atividade, eu tinha que estudar, claro, afinal, faltavam 2 dias para a prova!
Sabe que horas eu terminei esta atividade? Às 20h20min. da quarta-feira, ou seja, 50 minutos antes da prova. Claro que eu podia ter pego a atividade de alguém emprestada, copiado tudo e poupado tempo, trabalho e desgaste emocional, mas, e onde fica o meu aprendizado? Acreditem, eu fiz toda a atividade sozinha, mesmo correndo o risco de não dar tempo de terminar. E se não desse tempo, seria bem feito para mim, que tive um mês e meio para fazer e 4 dias em casa direto, e simplesmente deixei tudo para o ultimo segundo!
Preciso dizer que cheguei à faculdade ontem tão atordoada que meu tico e teço já estavam colidindo, eu nem estava conseguindo raciocinar direito?
A conclusão de tudo isso? Fiz a prova, ela foi um presente dado ao professor àqueles que estudaram, pois as questões eram iguaizinhas às da atividade que entregamos antes da prova (a maldita! rs), eu sabia responder todas as questões (eu acho!), e sabe o que me salvou? Ter feito a atividade. Lendo, copiando e buscando as soluções, eu acabei estudando e fixando os conceitos aprendidos em aula (confesso que não sou muito fã da matéria, mas este professor é muito inteligente e manja muito do assunto, por isso dá gosto de assistir às suas aulas). Se não fosse a atividade que tanto me deu dor de cabeça, talvez eu não tivesse estudado e teria me lascado (para não escrever um palavrão...) na prova.
Agora, vem a pergunta que não quer calar: por que eu não fiz essa atividade antes, meu Deus? Tempo eu tive, passei muitos finais de semana com a cara para o alto, sem nada para fazer, e não peguei essa atividade para fazer por quê? Será que o ditado que diz que “brasileiro gosta de sofrer” é verdadeiro? Porque o mais incrível é que eu conheço muito mais pessoas que deixam tudo para última hora do que pessoas que se programam para suas atividades, o que me faz pensar que eu faço parte de uma grande população dos que não se planejam e que, o que deveria ser hábito comum (programar-se) é, na verdade, raridade.
E o pior é que eu nunca aprendo: sexta-feira eu tenho prova, e a saga continua...rs

Expectativas

Eu sei que acontece com todo mundo. Sabe quando você confia numa pessoa cegamente, aposta todas as suas fichas nela, dá o melhor de si e acredita sinceramente que conheceu a melhor pessoa da sua vida, mas de repente, sem nenhum motivo aparente, esta pessoa simplesmente te decepciona?
Mas, pense bem: o que é a decepção, na verdade? O fato de alguém nos ter machucado, não significa exatamente que ela falhou, significa apenas que ela não fez o que esperávamos que ela fizesse.
A decepção nada mais é do que o outro não corresponder às nossas expectativas. Quem nunca se pegou esperando que alguém dissesse algo, mas que a pessoa nunca disse; ou fizesse algo, e na verdade, ela nunca fez?
A vida é um mistério, e o ser humano também. Às vezes não sabemos nem o que se passa dentro da nossa própria cabeça, o que dizer então sobre saber o que se passa na cabeça dos outros? Muitas vezes, condenamos o outro por alguma atitude tomada, mas nunca procuramos saber por que a pessoa decidiu daquela maneira, e não da maneira que esperávamos. O que nos parece muito claro, para o outro talvez não seja tão claro assim.
Por exemplo: pergunte a alguém que tem uma família estruturada, com pai e mãe casados, irmãos saudáveis e felizes, e harmonia no lar, o que ela acha da acusação de assassinato de Isabella Nardoni recair sobre o seu próprio pai. Provavelmente, esta pessoa te responderá que não acredita que um pai possa cometer tamanha atrocidade com a própria filha, algumas pessoas mais otimistas ainda te dirão que, com certeza, não foi ele, que existiu uma terceira pessoa na cena do crime, um desconhecido muito mau, destituído de sentimentos e princípios, que fez tamanha maldade com uma menina inocente.
Agora, faça a mesma pergunta a alguém com uma família completamente avessa, com um pai alcoólatra ou drogado que espancava os filhos e a esposa, ou a alguém que não teve pai ou mãe, alguém em situação de abandono ou de completo desequilíbrio familiar. Esta pessoa, com certeza, te responderá naturalmente que acha que foi o pai quem matou a própria filha, como se isso fosse uma coisa normal, como milhares de casos de assassinato que vemos e ouvimos todos os dias.
As pessoas não são iguais, e não passam por experiências de vida iguais, é por isso que cada um interpreta as várias situações da vida de uma maneira diferente, de acordo com os princípios, traumas e ambiente que conheceu e conviveu ao longo de sua vida.
É muito fácil nos colocarmos em situação de vítima e culpar o outro por todas as nossas infelicidades e frustrações, mas difícil mesmo é parar por um instante, tirar a máscara da perfeição que esconde todos os nossos defeitos e se colocar no lugar do outro, tentar compreendê-lo antes de simplesmente julgá-lo com a nossa arrogância desmedida de quem acha que está acima do bem e do mal, arrogância que, às vezes, nos faz acreditar que somos pessoas maravilhosas, e com o coração repleto de bons sentimentos o tempo inteiro, o que não é verdade. Todos nós temos momentos de raiva. Todos nós já agimos motivados pelo calor do momento pelo menos uma vez. Todos nós já tomamos atitudes inconseqüentes em algum momento de nossas vidas. Todos nós já machucamos o coração de alguém. Simplesmente porque somos imperfeitos, como todos os seres humanos da face da Terra, e é esta imperfeição que nos faz errar.
Então, antes que possamos esperar qualquer coisa de qualquer pessoa, precisamos ter paciência e compreensão para analisar a atitude do outro e perdoar, se necessário, pois às vezes somos magoados pelas pessoas que mais amamos, mas nem sempre aquela foi a real intenção dela. Alguns de nossos atos são involuntários, são um acontecimento isolado do que realmente somos, quando nos damos conta, já fizemos a bobagem e é um pouco tarde para corrigir. Mas se temos ao nosso lado pessoas que nos vejam e nos amem como a pessoa que somos, e não como a pessoa que elas esperam que sejamos, tudo fica mais fácil de ser resolvido.
Esperar é muito fácil. Difícil é ir à luta e fazer acontecer...