Objetivo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

...Mais do mesmo...

Sabe, às vezes tenho a impressão de que estou sempre falando a respeito dos mesmos assuntos, que minha vida gira em torno, sempre, das mesmas coisas. Há dias em que isso não me incomoda nem um pouco, mas há outros em que fico profundamente irritada com isso, como hoje, por exemplo.
Lembrei-me das palavras do pai do Rhian em um passado não muito distante, quando ainda namorávamos: "Você nunca tá satisfeita, nada nunca é suficiente para te fazer feliz!" - e fiquei muito p. da vida ao perceber que, sim, ele tinha realmente razão.
Quando eu era mais nova, achava que o problema da minha vida se resumia em encontrar alguém que me amasse e ser feliz ao lado dela. Hoje, vejo que a coisa é muito mais complexa do que eu pensava. Não importa quantas pessoas que me amem eu encontre pelo mundo, eu nunca vou me sentir verdadeiramente amada. Não importa quantos quilos eu emagreça, eu nunca vou me sentir magra. Eu descobri o grande problema da minha vida, e estou aterrorizada com ele: a verdade de tudo, a raiz do problema, está no fato de que eu mesma me odeio. Sim, eu odeio a minha imagem refletida no espelho, eu me acho feia, eu me sinto inferior às demais pessoas, eu não acredito no meu próprio potencial. A verdade é que jamais botei fé em mim mesma, e acredito que todas as pessoas me enxergam com os mesmos olhos que eu me enxergo.
Eu fugi do problema por todos esses anos, porque eu não queria admitir meus próprios sentimentos negativos em relação à minha pessoa. Por nunca me sentir feliz, passei a criar situações na minha cabeça, onde afirmava que, no dia que tal coisa acontecesse, eu seria feliz.
"Quando eu arrumar um namorado, eu serei feliz" - tive alguns envolvimentos amorosos (nem muitos e nem poucos, o suficiente para compreender o meu padrão de comportamento), e todos esses homens me trataram da mesma maneira, foram negligentes, me abandonaram. Mas nem mesmo na fase boa do namoro, eu me sentia feliz.
"Quando eu emagrecer, eu serei feliz" - ao longo da minha vida, já engordei e emagreci muito, pelo menos umas 3 vezes, mas mesmo quando eu estava magra, nunca me senti feliz. Porque eu me olhava no espelho e continuava me sentindo gorda, continuava me sentindo feia e sem valor.
"Quando eu mudar de emprego, serei feliz" - desde que comecei a trabalhar, em 2004, já mudei de emprego 3 vezes, e em nenhum deles eu me senti feliz.
"Quando eu fizer faculdade, eu serei feliz" - estou há 2 meses e meio da realização de um dos meus maiores sonhos, que é a formatura na graduação de Administração de Empresas, e eu continuo não me sentindo feliz. Acho que não vou ter capacidade de exercer a minha profissão, que não vou conseguir arrumar um bom emprego, mudar de padrão de vida etc.
"Quando eu tiver meu filho, serei feliz" - Rhian nasceu há 1 ano e meio, e confesso que o choque se deu logo no nosso primeiro contato. Ele estava ali, lindo, saudável, perfeito, nos meus braços, e eu continuava sentindo um vazio enorme dentro do meu peito. Eu tive uma depressão muito séria após o nascimento do meu filho, como se tudo que eu evitei sofrer durante a gravidez, para poder seguir o caminho sem hesitar, tivesse vindo à tona após seu nascimento. Meu coração estava cheio de amor por ele (e ainda está) e eu me sentia maravilhada por ele existir (e ainda me sinto!), mas aquele vazio não saiu de mim! Eu achava que ele ia mudar a minha vida, meus sentimentos e minhas ações da noite para o dia, e fiquei um pouco frustrada ao perceber que, não, ele não tinha aquele poder e, muito menos, aquela obrigação.
Hoje eu sei porque nada disso me trouxe felicidade: porque ela não está ligada a uma situação especificamente, ela vem de dentro de nós, é o nosso estado de espírito que nos condiciona a ver felicidade em todas as outras coisas de nossas vidas.
Como alguém que odeia a própria imagem pode ser feliz? Como alguém que não se ama, não se respeita e não se valoriza pode ser feliz? Como alguém que tem pena de si mesma pode ser feliz?
Quando não nos amamos verdadeiramente, atraímos para nossas vidas diversas pessoas que também não nos amam, e vão nos fazer sofrer. Quando nos tratamos mal, encontraremos em nosso caminho muitas pessoas que nos tratarão mal também. Mas elas não farão isso porque são, de fato, más. Elas farão isso, porque estão se espelalhando na maneira como você mesmo se trata.
Eu descobri que enquanto eu não me amar verdadeiramente, intensamente e profundamente, nada será bom o suficiente para mim, mas não porque eu seja exigente, porque isso eu não sou nem um pouco, não sou nem o mínimo que um ser humano deve ser, mas porque nada preenche meu vazio. Essa dor que eu sinto, só eu mesma posso curar. Nãso tem nada a ver com ninguém, e nem com nada, tem a ver com questões mal resolvidas dentro de mim.
Eu passei todos esses anos da minha vida buscando por um amor que hoje eu sei que eu só posso encontrar dentro de mim. Eu passei a vida inteira buscando pelo meu próprio olhar, procurando ter aprovação de mim mesma. Eu culpei pessoas pela minha dor e pelo meu fracasso, para hoje saber que a única culpada sou eu mesma... estou triste comigo mesma, porque, por mais que eu tente mudar, sempre acabo cometendo os mesmos erros. Eu continuo descontando a minha raiva de mim mesma e do mundo na comida. Eu continuo me sentindo o patinho feio do universo. Eu continuo amando pessoas que não merecem o meu amor. Eu continuo me importando com a opinião alheia. Eu continuo me negando a ver a pessoa que sou de verdade. Eu continuo achando que não mereço ser feliz. Por que eu continuo me privando da minha própria vida? Como todo ser humano, eu tenho o direito e o dever de ser feliz, de não passar nessa vida em branco. Então, por que eu continuo fazendo isso comigo mesma? Por que eu me odeio tanto, meu Deus? Por que...
Eu não tenho mais palavras para dizer ao meu próprio coração, mas eu continuo tentando. Eu não quero me deixar vencer, eu não quero desistir de tudo novamente e me entregar à dor, porque eu já sei o quão escuro é este caminho. Mas, sabe, tem dias que eu me canso de toda essa idiotice. Eu só quero ser uma pessoa comum, ter sentimentos comuns, viver relacionamentos comuns e ter uma felicidade comum. Não quero mais viver escrava da auto-imagem que criei.
Aconteceu comigo também...

Andei vendo essa reclamação em alguns blogs, e agora ela é minha também: fiz a RA direitinho essa semana e, tcharannnnn... engordei meio quilo! Sei que estou inchada por causa da visita desagradável que vou receber logo, e que esse peso representa somente esse inchaço, mas, mesmo assim, fiquei triste... fazer o quê, né? Bola pra frente.

Eu peço desculpas pelo dramalhão mexicano, mas sempre que escrevo aqui essas coisas ruins que sinto, é como se as exorcizasse dentro de mim. Sei que um dia elas vão embora e eu serei a pessoa normal com que tanto sonho.

Tenham um excelente dia!

5 comentários:

Anônimo disse...

Taia, primero fiquei chocada, depois li mais um pouco senti compaixão, antes de terminar já havia me identificado!
Seu sofrimento acredito que é igual ao de qualquer uma de nós!!!
Sofremos pois sempre delegamos ao outro a obrigação de nos fazer feliz, qdo na verdade somos nós responsáveis por isso, mas como não queremos assumir essa tarefa é mais fácil esperar do outro, mesmo sabendo que ele não tem a obrigação, o poder ou o dver de fazer isso por nós. E mais fácil culpar que admitir erros, entretanto é bom vc estar expondo isso, pois todos temos esse defeito, e assumir j[á é um crescimento!
Acho que vc deve buscar a aceitação. Aceitar seu corpo que graças a Deus é perfeito, tantas pessoas faltam membros, tem inúmeras deficiencias e dificuldades, aceitar seu momento afetivo e amoroso, há pessoas que estão envoltas em tragédias hediondas, aceitar seu momento profissional, vc tem emprego, um salário, pode satisfazer seus gastos, aracar com as necessidades de seu filho, até se dar pequenos luxos!!!! Acredite vc é uma privilegiada, está quase se formando, quantos brasileiros sequer são alfabetizados! Não é discurso conformista, mas para querermos mais, é preciso antes valorizar e agradecer o que já se tem, pois nada é fácil, nada é de graça!
É verdade, sempre teremos mais do mesmo (tenho essa frase do Pe. Fábio escrita na minha agenda). "Na vida sempre teremos mais do mesmo, qual o mesmo que vc quer?" Se só reclamamos mas não mudamos, ou buscamos outra coisa, sempre teremos aquilo que já temos, que por medo de mudarmos nos damos apenas a oportunidade de criticar, e o que nos leva adiante não são as criticas, são as ações!!!!
Bjocas

Anônimo disse...

Olá,
A Francys (minha grande amiga), esteve em meu blog hoje e indicou esta leitura.
Eu te entendo em gênero, número e grau.
Acho que não chego a me odiar, mas tenho uma visão muito pessimista da vida e das pessoas. Eu considero que consigo enchergar muito bem o que acontece ao próximo, mas quando trata de mim, sou uma negação.
Quanto a tudo o que você disse, eu só tenho uma dica que utilizo menos do que gostaria, mas tento aplicá-la quando possível. "as pessoas só fazem conosco o que deixamos" e tente começar a ver o copo meio cheio, ao invés de meio vazio (não que eu faça isso, rsrsrsrsr, mas confesso que tenho tentado), mas é uma forma interessante de viver bem e tentar ser feliz quando dá. Tenho um primo que se queimou com 11 anos de idade, e sofreu muito com isso (enxertos, viagens para fazer tratamento, preconceitos) e apesar disso tudo ele é a pessoa mais otimista que conheço, não o vejo reclamando de nada, ou seja, ao invés de se colocar como vítima ele resolveu vir tudo de "bom" que ele possui.
Abraços e desculpe a intromissão.

Flávia disse...

OI querida
estou passando para desejar um bom fim de semana
bjs

Desafiando a Balança disse...

Oi Naty
se vc quiser, pode postar o peso na segunda tá!
bjs

Lays disse...

Oii!!
Menina eu to assim meio passada com o texto mas confesso que em alguns pontos eu me vi no passado hoje graças a DEUS procuro vencer e viver cada dia e você também vai conseguir minha amiga quanto ao peso é só inchaço logo vai estar normal deixa a dona M ir embora rs...
Um ótimo fim de semana bjos muitos pra vc e pro Rian!!!